Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

"O SEMINÁRIO"

 


 
 
(António Gonçalves)
Nesta fase da minha vida de aposentado permite-me conhecer melhor, por via do convívio diário que se gera entre amigos na mesma situação, no quadro típico do reformado de hoje,  acomodado ao banco de jardim junto do quiosque que expõe os títulos dos jornais, que lemos, mas não compramos.
Neste convívio, nascem relações curiosas a partir da discussão de temas que vão do desporto à política à história à sociologia à economia, etc, em função daquilo que cada um exprima, sabendo ou julgando saber.
Sem grandes vínculos de amizade ou maior proximidade aos círculos familiares estes encontros diários tornam-se indispensáveis, para muitos, para a manutenção do equilíbrio da mente de quem se sente desactivado de afazeres profissionais.
Onde exista um grupo de individuos, geram-se por natureza as óbvias diferenças naturais entre estes, destacando-se cada um, mais, ou menos, em função das suas capacidades e/ou conhecimentos.
Da minha posição no grupo, geralmente de ouvinte, constacto diferenças profundas entre cada um de nós, no estilo e na forma, sendo que todos são personagens marcantes que atraem, na evidência das suas particularidades, com experiências de vida diferenciadas.
Dado as minhas naturais dificuldades de loquacidade e à melhor aptidão para as retratar pela escrita, sou por norma mais observador que interventor.
Existe neste grupo de “desactivados” um personagem que o enriquece, abrilhanta, esclarece e até o diverte. Quando o “Seminário” não aparece nas horas previstas, todos se interrogam: Será que ele hoje não aparece? Sente-se a sua falta.
Com efeito, o Seminário, por quem nutro consideração e estima é um homem de corpo inteiro, com um comportamento social exemplar e com uma história de vida notável que a maioria dos da sua geração não soube conquistar.
Nascido no Campo Grande, em clima de pobreza, de pais migrantes do norte, à semelhança de outros que fazem parte deste grupo, percorreu diversas etapas, uma das quais na “ferrugem”, (serralheiro) como ele diz, até se fixar na Banca onde fez carreira profissional até se aposentar, depois de, já em adulto, ter decidido estudar e concluir o 12º ano com a facilidade que a sua inteligênciia e determinação lhe permitiu.
Orador nato, arguto e esclarecido, aborda qualquer tema, quer seja de política, do desporto, de economia ou o que quer que seja, apondo-lhe doses qb de ironia e humor. Bastante viajado e leitor de coisas substantivas revela uma cultura geral muito acima da média. Se algum dos amigos lhe chama, por ignorância, de tretas, é porque não sabe nem consegue reconhecer o conteúdo do seu discurso. Não é conflituoso, aceitando ou combatendo diferenças de opinião com a força da sua argumentação. Nunca se altera ou irrita com a divergência.
A viver o drama familiar da grave doença da sua mulher, tem uma atitude e um comportamento exemplar. A dedicação e carinho que lhe dedica chamando a si todas as tarefas domésticas e a higiene pessoal dela, ainda arranja tempo para dar apoio e assistência aos pais idosos.
Felizmente, também consegue arranjar um tempo diário para conviver connosco. As tertúlias junto ao quiosque do Barão sem a sua presença não têm o mesmo sabor.
Coloco-o no meu álbum de boas recordações.
CCarifas
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
publicado por carifas às 23:58

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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

DESPORTISTAS FERREIRENSES - MANUEL FERREIRA

Quis o acaso que descobrisse no Jornal da Amadora uma pequena notícia, recordando, pela pena de um seu amigo de 84 anos que com ele ainda conviveu, um Ferreirense que atingiu notoriedade no ciclismo nos finais do século XIX e príncípio do século XX.
Não sendo o nosso concelho muito pródigo em gerar desportistas de nomeada, parece-me de forte interesse divulgar esta figura que cometeu proezas assinaláveis num tempo em que o desporto era puramente amador e quem o praticasse era por muitos tido como excêntrico ou louco.
Manuel Ferreira nasceu em Ferreira do Zêzere em  1870 e faleceu em 24 de Setembro de 1954, na Amadora.

 

Transcrição do essencial da notícia publicada no Jornal da Amadora de 8 de Outubro de 2009:

"Manuel Ferreira passava pelas ruas da Amadora montado no seu biciclo de roda dianteira gigante e roda traseira minúscula, uma verdadeira imagem que já nesse tempo parecia de lenda e fantasia.

Correndo de dia e de noite, Manuel Ferreira estabeleceu em 1896 o primeiro recorde ciclista entre Madrid e Lisboa, no Velódromo D. Amélia e percorreu as principais pistas de Portugal e de Espanha. Veio do Porto a Lisboa em menos de vinte horas e chegou a ser professor de ciclismo dos membros da Família Real, que muito o estimavam.

Proeza de vulto cometeu Manuel Ferreira em Maio de 1900, quando subiu a íngreme Calçada da Glória em bicicleta. Rodeado e acarinhado por numeroso público, o então popular ciclista, mercê do seu extraordinário poder atlético, entre palmas e incitamentos, alcançou o cimo da ladeira. Mas a proeza não ficou por ali. Sem temer o perigo de uma queda desastrosa, Manuel Ferreira lançou-se na descida da calçada, vindo a ser recebido em apoteose pelos que o tinham visto iniciar a subida. Registe-se que o elevador da Glória tinha sido inaugurado em 1885.

Mais tarde, Manuel Ferreira distinguiu-se também no motociclismo, vindo a ser recordista do histórico Quilómetro da Valada, em 1906. E à história do automóvel em Portugal está também ligado o nome de Manuel Ferreira, que no final dos anos quarenta contribuiu para a identificação do primeiro automóvel que entrou no nosso país, um "Panhard & Levassor" de 1895, desde há muito propriedade do Automóvel Clube de Portugal.

Manuel Ferreira veio viver para a Amadora em 1935 com seu irmão Bernardino, poucos anos mais novo. Moravam na Venteira, no alto da Rua 1º de Dezembro, com residência e oficina de reparação de bicicletas. Uma ou duas vezes acompanhei Manuel Ferreira ao Lumiar, ele no seu biciclo e eu na minha bicicleta para assistirmos à chegada dos ciclistas que disputavam a volta a Portugal.

Veio Manuel Ferreira a falecer na Amadora em 24 de Setembro de 1954, curiosamente com a mesma idade que tenho agora, 84 anos. Quem se lembrará de Manuel Ferreira na Amadora? Era natural de Ferreira do Zêzere e começou a praticar ciclismo em Portugal, antes de vir para Lisboa. (Vasco Callixto)".

Fica-me a curiosidade e a expectativa de haver,  entre os que visitem este blog, tenham conhecimento desta figura e saibam das suas raízes familiares e local de nascimento. Permito-me lançar repto ao dr. Paulo Neves, investigador apaixonado de tudo o que "cheire" a Ferreira do Zêzere.

 

 

 

 

 

publicado por carifas às 13:08

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