<?xml version='1.0' encoding='utf-8' ?>

<rss version='2.0' xmlns:lj='http://www.livejournal.org/rss/lj/1.0/'>
<channel>
  <title>FUNDO DA RUA </title>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/</link>
  <description>FUNDO DA RUA  - SAPO Blogs</description>
  <lastBuildDate>Sun, 29 Apr 2012 18:15:21 GMT</lastBuildDate>
  <generator>LiveJournal / SAPO Blogs</generator>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/11703.html</guid>
  <pubDate>Sun, 29 Apr 2012 18:03:30 GMT</pubDate>
  <title>PARA MEMÓRIA FUTURA</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/11703.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot; align=&quot;center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Nasci e cresci no Fundo da Rua na Freguesia de Paio Mendes à quase setenta anos e nunca mais de lá saí. Pelos muitos locais onde circulei, quer em Lisboa, onde vivo, quer nalguns países da europa, onde passeei, quer em áfrica, no serviço militar, sempre senti a necessidade o desejo e a saudade do meu cantinho, que aprendi a estimar como a minha própria vida. Foi ali que aprendi a andar, a falar e a ter sentimentos de relação afectiva do mundo e das pessoas que me rodearam. Aprendi a cultura muito própria dos nossos naturais. Por muito que venhamos a aprender ao longo da vida, nada irá substituir o que assimilámos nos primeiros anos de vida. É como a raiz que sustenta a àrvore que, embora venha a ser podada, moldando-a, mantém a mesma raíz que lhe dá vida.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Tive uma infância feliz e revivo amiúde as incidências dessa fase, que mantenho vivas:&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;É com nostalgia que recordo as minhas idas à loja do “Catrino” fazer recados à minha mãe. A loja representava naquele tempo uma espécie de disneylândia, tal a variedade de cheiros e de produtos que ali eram expostos para venda. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ir ao Guilhermino Sapateiro levar calçado para arranjo ou tirar as medidas aos pés, colocando-os em cima de uma folha de papel pardo que ele circundava com um lápis para que me fizesse umas botas. A sua oficina era só por si um local de sonho pelas ferramentas estranhas que se observavam. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ver passar o Moleiro de Dornes com o burro carregado de farinha nos seus alforges, que distribuia porta a porta. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ouvir o original toque do Capador em aproximação, para capar os porcos ou porcas, vindo da longínqua Pombeira montado no seu cavalo, geralmente embriagado, embora sempre eficaz na sua função de operador. Se se tratava de um porco, a minha mãe fritava os testículos para uma merenda deliciosa que o capador, sem pressas, também compartilhava. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Frequentar a Escola primária com os companheiros da minha geração, descobrindo as letras e os números que os professores que tive, me ensinaram. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ir levar o jantar ao meu pai ao lagar ou ao forno, no inverno e no verão. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Caçar pássaros com pescórcias e descobrir ninhos. Apanhar agúdias nos formigueiros ou lagartas nos troços do milho, para servirem de isco. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Descobrir uma qualquer roda e fazer uma gancheta para circular com ela, como se fosse um veiculo sofisticado. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ver o Espanhol, contrabandista de tecidos, que aparecia uma vez por ano. Vendia, sobretudo, tecidos de bombasine, serrobeco, sarjas e mitras(boinas) entre outros, que trazia envoltos numa manta em forma de trouxa, que carregava às costas. Era um alentejano simpático, que dormiu algumas vezes no palheiro da casa dos meus avós, depois de aparecer na taberna à noite para solicitar permissão ao meu pai. O facto de o saber a dormir lá fazia-me imaginar as suas aventuras desde as longíquas terras de onde vinha. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Viver as matanças de porco que se faziam em minha casa e em casa dos meus tios, uma vez por ano, que eram grandes festas familiares. O meu pai era era o matador e procedia também à desmancha no dia seguinte. O porco ficava pendurado no chambaril até ao dia seguinte para escorrer todo o sangue. Eram dois dias fartos em acepipes. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ouvir, de madrugada, a passagem do carro de bois do Fernando do Daniel para trabalhos de lavoura, repetindo a cada instante a frase com que dirigia a junta de bois: “Cás-tráz-cabano-aí-hoo- Filhos da p......” . E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ouvir o meu tio Manel passsar de manhã cedo em direcção ao adro para o mata- bicho  e gritar na janela do meu quarto. “Alevanta-te meu mandrião&quot;.  Eram os bons-dias dele. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Espreitar a minha tia Augusta na sua passagem semanal com o alguidar de tremoços à cabeça, para a taberna, para receber um punhado deles, poucos, mas que me deliciavam. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Esperar pela noite para me sentar ao lume com a minha mãe, aguardando a chegada do meu pai, à luz de uma candeia de azeite. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ouvir, no inverno, a chuva e o vento a baterem no telhado e sentir os pés aquecidos pelo gato que vinha todas as noites dormir à minha cama. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Comer as sopas de café com leite ou de almécere ou farinha maizena que a minha mãe deixava junto à lareira, para se manterem quentes, antes de ir aos seus trabalhos. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Pedir a benção ao meu pai e aos meus tios, como saudação. Dizia-a de forma mecânica do seguinte modo: “adeus mê pai cetáçabenção”. Só muito depois vim a perceber que deveria dizer: Adeus meu pai, dê-me a sua benção. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Percorrer, descalço, a alta velocidade, os percursos para a Renda ou para o Salão de Cima.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Participar nas vindimas e ajudar a pisar as uvas no lagar da adega do meu pai para obter o mosto que se transformaria em vinho. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Servir copos de vinho na taberna e ouvir as conversas adultas dos que por ali apareciam. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Notar as alterações de comportamento naqueles que se embriegavam. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Assistir a zaragatas, por pequenas zangas, provocadas pelos excessos de bebida. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Construir um forno de cerâmica, com o meu amigo Necas, à semelhança daquele onde o meu pai trabalhava, para cozer peças em barro que fazíamos com moldes que nós próprios construimos. Ou fazer um telefone com caixas de graxa e fio enrrezinado, que retirava dos foguetes que apanhava quando se realizava a festa de Paio Mendes. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Espreitar, de manhã cedo, a possível queda de laranjas para o caminho que passava abaixo do muro alto do terreno onde se encontrava a laranjeira do Sr. Camilio, única neste local, para correr a apanhá-las e deliciar-me com elas. E,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Conviver com homens, que recordo com saudade, com caracteristicas muito particulares, já desaparecidos, mas que se evidenciavam no nosso mundo rural fechado ao conhecimento do que no mundo ia acontecendo. Recordo, particularmente, o Nascimento Nunes, o Manuel Cebola e o António do “Génio”, homens, entre outros, que evidenciavam conhecimentos superiores à generalidade das pessoas. Qualquer deles eram fontes de conhecimento que a minha idade imberbe não absorvia. Só mais tarde os reconheci. Nascimento Nunes, do Soutireira, Nerú ou cara de cão, era um orador nato, que sabia colocar no seu discurso tal intensidade dramática que provocava emoções a quem o ouvia, fazendo inveja às descrições de Aquilino Ribeiro nas cenas rurais do Malhadinhas. Assinante do Diário de Notícias (imagine-se, naquela época) debitava notícias e conhecimentos que embasbacava quem os ouvia. Os jornais tinham para ele duas utilidades. A leitura e a limpeza da navalha com que barbeava os clientes. Foi serrador (profissão já extinta), barbeiro, taberneiro e caçador de raposas que transportava aos ombros de porta em porta para ser recompensado com ovos das galinhas que ficavam a salvo de assaltos às suas capoeiras.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Volto agora, frequentemente à minha primeira vida e não consigo identificar-me com ela. Nada é igual. Muito menos as pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;ccarifas&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/11703.html</comments>
  <lj:replycount>0</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/11418.html</guid>
  <pubDate>Sun, 22 Apr 2012 11:50:06 GMT</pubDate>
  <title>O QUE DIZER</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/11418.html</link>
  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;È pouco e muito mais do que me apetece. No entanto esse pouco para mim é muito. Sendo assim, devo calar-me. Porém não dizendo nem o muito nem o pouco, não digo sequer o pouco que preciso dizer. Assim sendo, fico dividido entre o muito e o pouco pela incapacidade de síntese para dizer o muito em muito pouco. Afinal, porquê dizer o que pensamos por pensarmos que tem de ser dito, se apenas repetimos o óbvio.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Tudo está dito por todos.O que está por dizer ainda não é sabido. Quando for dito, todos repetiremos, sem necessidade de repetir o que foi dito. A natureza humana tem hábitos de fala e repete o que outros falaram. Se todos falássemos apenas o que sabemos, só alguns falavam o pouco que sabem.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Atribua-se cansaço à fala para que o que for dito seja apenas o que deve dizer-se.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;CCarifas&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/11418.html</comments>
  <lj:replycount>0</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/11187.html</guid>
  <pubDate>Sun, 22 Apr 2012 11:42:35 GMT</pubDate>
  <title>UM CERTO ESTILO ALOURADO</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/11187.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot; align=&quot;center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“L...reparava com ansiedade que, por sua vez, o esclarecimento também precisava de ser esclarecido. Logo o tomava o medo de que, por falta de rigor, o não acreditassem, de maneira que acrescentava todas as precisões de tempo, lugar e modo que lhe ocorriam. Mas o tempo, lugar e modo têm as suas particularidades, um antes e um depois, um perto e um longe, um seco e um molhado, um limpo e um sujo, um preto e um branco, um rápido e um lento... Havia que escolher de entre as alternativas a mais verdadeira, que só valia sendo bem circunstanciada, com tempo lugar e modo. E se não acreditassem na palavra dele, lá estava Fulano e Beltrano a confirmar. E se esses não se lembrassem, ele avivava as memórias, lembrando o fato castanho de um e a exclamação “ele há cada uma!” de outro, que aliás, tinha proferido num sítio muito determinado que era... mesmo junto a ... logo a seguir... até vinha passando F... o qual se acercou e disse... ao que respondera... e até passou o comboio das nove e... E quanto mais descorria, mais assustado ficava L... Ao receio de que não tivesse sido suficientemente rigoroso e persuasivo, acrescia a consciência de que estava a maçar, de maneira que passava a intercalar um “eu acabo já, é só mais um instante” de dez em dez segundos, e começava a exprimir-se cada vez mais depressa. Mas então sobrevinha a sensação de que todos se haviam já esquecido do que havia dito em primeiro lugar e apressava-se a repeti-lo, de maneira mais enfática, acontecendo que lhe ocorriam entretanto diversos pormenores que enriqueciam a história. E aproveitava a ocasião para corrigir particulares que tinham sido mal contados.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Quem o conhecesse sabia não valer a pena interrompê-lo, mesmo usando artes cortesãs ou rudezas militares. Interpelado a meio do discurso, calar-se-ia humildemente.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mas enquanto esperava, os sinais de inquietaçãp multiplicavam-se na face e aqueles esgares tornavam-se insuportáveis a quem o olhasse. E ao retomar a palavra, logo na primeira oportunidade, faria tábua rasa de tudo o que entretanto se dissesse e regressaria ao seu próprio discurso anterior, completando-o com os pormenores que, enquanto aguardava, a sua tumultuosa memória desencantara.......&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot; align=&quot;right&quot;&gt;Texto retirado do livro&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot; align=&quot;right&quot;&gt;“Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto”&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot; align=&quot;right&quot;&gt;Do autor, Mário de Carcalho&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/11187.html</comments>
  <lj:replycount>1</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/10701.html</guid>
  <pubDate>Fri, 30 Sep 2011 12:19:40 GMT</pubDate>
  <title>MULHER CORAGEM</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/10701.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot; align=&quot;center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Existem neste nosso mundo pessoas que fazem o seu percurso de vida com notoriedade e conhecimento público e outras que sendo notórias, apenas vêm o reconhecimento das suas qualidades no terreiro das suas vidas com eco apenas nos familiares e amigos.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A minha irmã, Maria Augusta dos Santos Nunes Bastos (A Tita) e o Francisco de Sousa Bastos (Chico do Grilo, como é conhecido) celebra no dia 23 de Setembro de 2011 as suas bodas de oiro, de um casamento que resistiu a todas as vicissitudes que estão implícitas ao decurso de uma vida dura e de muito trabalho, acrescida da maternidade, criação e educação dos seus filhos.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Òbviamente oriunda dos Carifas, é porventura a que melhor retrata o espírito que está subjacente à alcunha da nossa família ( alegre, brincalhão, gozão, impertinente).&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Não fora  a dramática perda do seu filho mais velho, o grande desgosto da sua vida que a abalou e modificou e manteria ainda a jovialidade que sempre a caracterizou.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Apesar de tudo, ainda alegre e brincalhona com a argúcia de quem, sendo inteligente, sabe brincar respeitando, com a arte pouco comun do bom senso e objectividade do seu discurso.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Generosa e amiga de toda a gente, exerce o saudável hábito de ajudar a quem precisa com o prazer de fazer bem.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Na sua farta casa há sempre um prato de sopa ou um dos seus deliciosos petiscos feitos com as suas mágicas mãos de cozinheira.  Sem ter tido qualquer formação na arte de cozinhar, ela transforma qualquer alimento em cozinhado que faria inveja  a qualquer chefe de cozinha. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Tem agora o previlégio de ter duas lindas netas, a Joana e a Carolina, que vieram colmatar a sua grande frustação de não ter tido uma filha  e um neto, o Miguel,  elas, filhas do Carlos Miguel e da Silvia, e o Miguel, filho do Zézito e da Isabel. Orgulha-se dos seus filhos por serem homens exemplares e de sucesso.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Prefere andar a pé em detrimento do automóvel, que é um luxo execrável que rouba o prazer de exercer a função de locomoção natural do ser humano que somos. Excurções de terceira idade são manifestções de gente que não sabe distinguir entre o ter e o saber dos prazeres da vida. A melhor excursão que lhe podem proporcionar é percorrer a pé a distância entre a Cagida e Paio Mendes ou qualquer outro percurso que desafie o seu marchar rápido.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Divide, dia a dia, as suas múltiplas tarefas, entre as fainas agrícolas o tratamento de animais e a manutenção dos afazeres domésticos com energia que faz inveja aos mais jovens. Ela executa, dirige, orienta e comanda todo o universo que a rodeia.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Queremos tê-la por muitos anos na intimidade das nossas vidas,  como irmã e como amiga.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Os meus parabéns e um grande beijo de amizade do mano&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ccarifas&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/10701.html</comments>
  <lj:replycount>0</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/9346.html</guid>
  <pubDate>Wed, 07 Sep 2011 19:32:41 GMT</pubDate>
  <title>AVENTURA NAS ESTERCADAS</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/9346.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot; align=&quot;center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot; align=&quot;center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot; align=&quot;center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A natureza humana exercita sentimentos, emoções e sensações que lhe são intrínsecas,  não tabeladas em escalas de valores como um produto qualquer.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Teria 8 ou 9 anos , a viver naturalmente em casa dos meus pais no Fundo da Rua, com a filosofia dos naturais, na fase de aprendizagem própria desta idade, assimilando hábitos e costumes, transmitidos de forma quase genética,&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ainda hoje não consigo lembrar-me de melhor sensação que a vivida nesta aventura. Nem de quando fui a primeira vez a um concerto, ao cinema ou viajar de avião.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Aqui, neste local, a natureza parecia desenvolver-se de forma desordenada, onde cada àrvore empurra outra como  a querer garantir o seu próprio espaço. A vegetação mais forte asfixia a mais fraca, entrelaçando-a.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Esta época ainda era rica de fauna selvagem, sobretudo de aves que caçávamos facilmente com pescórcias, armadilhadas com agúdias ou lagartas dos troncos do milho, até de aves de maior porte, como os Corvos e os Milhafres, este ave de rapina.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Movido pelas pragas ao Milhafre, que ouvia à minha mãe e vizinhas, pelos assaltos que este fazia às suas capoeiras rapinando pintos à ninhada, resolvi fazer justiça pelas minhas próprias mãos provocando o extermínio do maldito Milhafre.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Saltei o ribeiro através de um túnel  formado por silvas e canas, aberto em local onde os muros de pedra distam cerca de um metro entre si, com uma profundidade de outro metro. Esta abertura, parecendo natural, formou-se pela erosão provocada pela passagem de pessoas que, ou iam caçar ou apanhar fruta em àrvores há muito abandonadas que sobreviviam  no meio da vegetação que as envolvia, como  selva cerrada. Também por ali se escapavam os javalis que lá encontram refúgio seguro e poderem visitar os milharais que se cultivam deste lado do ribeiro.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Entrar por esta passagem provocou-me uma forte sensação de aventura, incutindo medos e alusões a mistérios que a dificuldade de movimentação e os muitos indícios de existência de vida selvagem ajuda a construir, reforçado com o sentimento de invasão de propriedade alheia, embora ciente que os donos não me poderiam observar da sua casa que, lá do alto, dominava a quinta em toda a sua extenção, embora a densa vegetação não permitisse observar o interior daquele espaço.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Avancei com grande dificuldade, incomodado pelo constante agarrar das silvas à minha roupa. À medida que avançava mais para o interior aumentava-se-me a curiosidade do desconhecido e obtinha o sentimento do corajoso que quer culminar a aventura com um acto de bravura. Se me vinha alguma sensação de medo, rápidamente projectava na minha mente à zona circundante, que conhecia bem e que por estar tão próxima, depressa alcançaria. Porém, logo ficava arrependido de recorrer a este estratagema para aliviar os medos, porque perdia nesses momentos o espirito de guerreiro de que estava possuido e que só voltava a recuperar quando me tornava a assustar com o barulho provocado por algum insecto, cobra ou pássaro.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A meio do percurso parei para me concentrar e avaliar a situação, não fosse preciso modificar a estratégia da acção.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Olhei em redor e senti um calafrio, quando me apercebi do silêncio que me envolvia e que não notara antes por causa do restolhar que eu provocava ao avançar, afastando vegetação e os ramos das àrvores. Fiquei imóvel algum tempo  até que o Milhafre que nidificava num pinheiro próximo, o visitador habitual das capoeiras da minha mãe, deu sinal da minha presença. Apesar de sinistro, senti-me aliviado pela familiaridade do som.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Decidi então avançar até ao pinheiro onde o Milhafre tinha o seu ninho, afinal o local do objectivo da minha missão.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Já junto do enorme pinheiro que o albergava olhei para cima e tive a sensação que a sua ponta tocava o céu. Os primeiros ramos ficavam a uma altura que eu não conseguia alcançar. Lembrei-me da utilidade que eu escada me daria, mas logo pensei que não seria justo utilizá-la facilitando as coisas. Bom mesmo era conseguir trepar com a força dos braços e das pernas até ao primeiro ramo e a partir daí escadear o pinheiro até ao topo.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Esfreguei as mãos, voltei a olhar para cima e propus-me abraçar o pinheiro. Não tinha porém previsto a inesperada impossibilidade de o abraçar pois era demasiado largo para os meus pequenos braços. Senti nesse momento um misto de tristeza e de alegria disfarçada. Afinal não ia ser por minha culpa que não atacaria o Milhafre. Ele estava no pinheiro errado.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Obrigado a desistir da exterminação do Milhafre, regressei a casa. Contudo, vinha feliz e com sentimento de vaidade por reconher-me a coragem que tivera em pensar levar a cabo tamanha façanha.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Os pobres pintainhos continuariam ainda a correr risco de vida.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ccarifas&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/9346.html</comments>
  <lj:replycount>0</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/9055.html</guid>
  <pubDate>Sat, 19 Feb 2011 20:45:11 GMT</pubDate>
  <title>UM S.MARTINHO EM PAIO MENDES</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/9055.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Estamos no dia de S. Martinho, em 1950.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Este tinha sido um ano de farta colheita de uvas e as adegas estavam cheias, como há alguns anos se não via. Sentia-se por isso um forte apelo às tradicionais provas, na expectativa de saber se à quantidade também corresponderia a qualidade. Nada melhor que convidar os amigos para efectuar as provas tradicionais do dia de S. Martinho e saber deles a opinião sobre a “pomada” do ano, embora se saiba que essa coisa de aromas e paladares são coisas reservadas  a frutas.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O Manél Alcobia, ou Manél da Teresa, como era mais conhecido, era homem de horizontes largos, pois tinha experiências de vida invulgares, pouco comuns aos seus iguais daquele tempo, como seja a sua expedição a àfrica, e ao que se diz, até terá participado na prisão do Gungunhana.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Na véspera deslocara-se à Serrada e apanhou uns quilos de castanhas e trouxe de caminho um molho de agulho para fazer o magusto que iria compartilhar com os amigos. Deu ordens à mulher para as trinchar e meter-lhe uma mão de sal da salgadeira.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A seguir ao jantar, cerca das duas horas da tarde, com a samarra pelas costas, desceu as escadas que dão acesso à adega. Ainda vinha a comer a sobremesa. Um naco de toucinho preso na mão esquerda entre o indicador e o polegar e um bocado de pão de milho preso por baixo, na mesma mão, que cortava em pedaços com a navalha na mão direita. Calmamente sentou-se no banco feito de uma tábua de pinho assente em duas pedras, nas extremidades.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Não tardou que chegasse o primeiro conviva. Era o Xico Clemente que morava ali à distância de um grito. De camisa branca, coisa rara por aqui, mas o dia era de festa, salientava-lhe ainda mais o enorme nariz avermelhado e marcado por um sinal negro. Saudou:&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Olá compadre!&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Olá compadre!&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Sentou-se no mesmo banco e enquanto falavam do tempo, surgio o Zé Narciso em passo apressado, ofegante, que a subida desde a fonte é ingreme. Homem de grande porte e de falas apressadas parece ter sempre pressa em partir para outro destino, saudou:&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Santas e boas!&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Adeus oh Zé, responderam ambos.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;E voltou a falar-se do tempo.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O Artur Granja que morava a meia distância entre o Manél da Teresa e o Zé Narciso, surgiu à saída da azinhaga que passa por detrás da casa do Fona. Em passo calmo e de samarra pelas costas parou antes de atravessar a estrada e procurou, abrindo ligeiramente as pernas para obter rigidez no equilibrio, colar com a língua a mortalha do cigarro de onça que vinha a fazer. Só depois de o acender com o isqueiro a petróleo, avançou em direcção ao local onde os outros se encontravam, com a pressa de quem não tem pressa nenhuma.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Boa tarde meus senhores!&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Boa tarde!&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Logo se avistou à saída da mesma azinhaga, os restantes convidados. Os irmãos Carifas, o Manél e o Joaquim que vinha ao ritmo do irmão Manél amparado com um sacho para facilitar a sua dificuldade de locomoção devido aos calos de que sofria.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Santas e boas!  disseram ambos.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Boas tardes!&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Bem, meus senhores, como já cá estão todos o melhor será atacar o postigo, senão morremos de sede.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;-Já cá tarda, disse o Zé Narciso.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O Manél da Teresa agarrou na verruma e no espicho que tinha feito na véspera e tratou de começar a furar o tonel.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;-Passem-me aí esse copo que isto já está a verter até ao postigo. O Zé Narciso foi mais rápido e deu-lhe o copo que rápidamente se encheu com o forte esguicho que saía do barril. Meteu-lhe o espicho para estancar a hemorragia do vinho. O Zé Narciso esvaziou o copo de uma vezada.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Então Zé, que tal achas o vinho?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ora, não é com um copo que se faz uma prova. Volte a enchê-lo que já falamos. Quanto mais de resto é assim mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Espera, que os outros também são gente. O melhor é encher a picheira para que não se babe tanto vinho.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Encheu a picheira e começou a servir os restantes compinchas. O primeiro foi o Manél Carifas, que opinou: Cá por mim bebe-se bem. Eu até não sou esquisito. Já tenho bebido pior.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O Xico Clemente que ansiava pela sua vez, foi o seguinte a beber e estalando com a língua disse: Escorrega bem. Se não azedar há-de ser todo bebido.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Passou em seguida o copo ao Artur Granja que o bebeu e, franzindo as sobrancelhas, exclamou: Bem, bem, bem, bem. Deixem passar-lhe o inverno por cima que o há-de acabar de curar.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O Joaquim Carifas, com fama de bom fabricante de vinhos, era opinião a considerar, daí que o Manél da Teresa esperava com curiosidade a sua apreciação.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Bom, é um vinho encorpado mas a precisar de mais tempo de remanso, que o tempo e o frio tratará dele.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O Zé Narciso, teve finalmente o segundo copo que bebeu, deitando um pouco na palma da mão que esfregou até aquecer. Cheirou as mãos e disse: Tem grau para subir à cabeça.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Oh! Pessoal, rematou o Manél da Teresa, vamos lá para fora acender o agulho e assar as castanhas para fazer boca para mais uns copos.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Todos se dirigiram para o terreiro. Foram ao monte da lenha e tiraram, cada um, um cepo, que levaram para junto do agulho, onde se sentarem.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Enquanto as castanhas assavam bebeu-se mais uma rodada. Uma que não fora trinchada rebentou com grande estrondo e na pausa que se seguiu, alguém comentou: - Já abriu a caça. Todos se riram.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Com a ponta das botas cardadas iam puxando as castanhas para fora do agulho e com as mãos já negras da descasca iam sujando e embaciando os copos.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Durante a tarde o Manél da Teresa como bom anfitrião não parava de reeencher a picheira, pois era preciso que todos fossem satisfeitos.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Pelo sol posto já com os corpos quentes, despediram-se, deixando convite para visitaren as suas adegas, ficando apenas o Xico Clemente que morava ali mesmo ao lado. Os outros seguiram ladeira abaixo, todos juntos, que o caminho era o mesmo até à fonte. Atrás deles seguia o Manél Carifas abrindo cada passo com o cuidado de parecer não querer nem desequilibrar-se nem querer tocar com os pés no chão.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;                                        &lt;wbr /&gt;                                        &lt;wbr /&gt;                                  Ccarif&lt;wbr /&gt;as&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/9055.html</comments>
  <lj:replycount>0</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/8777.html</guid>
  <pubDate>Sat, 19 Feb 2011 20:45:11 GMT</pubDate>
  <title>O MEU TIO PORRAS</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/8777.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Manuel Nunes, o Porras, Zé dos calos ou mais genéricamente Manuel Carifas era uma figura peculiar que marcou a minha juventude. Figura simpática e popular, era o dono da taberna situada junto à igreja de Paio Mendes.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Do género rezingão, fazia contudo transparecer uma cordialidade pouco comum ao homem analfabeto e sofredor de grave doença crónica de pele.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A sua figura e a forma como se deslocava, devido à proliferação de calos nos pés, provocavam ditos jocosos a quem o via deslocar-se, sem que deixasse de ser respeitado. Não raras vezes se via o ti Manél sentado à porta da taberna, descalço, a desbastar, com a mesma navalha com que cortava a bucha, os malditos calos que o atormentavam.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O seu maior martírio era, porém, o percurso entre a sua casa, no Fundo da Rua e a taberna, sobretudo para conseguir subir a íngreme ladeira que o obrigava, por vezes a ir com as mãos ao chão devido à grande inclinação desta.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Todos os dias pelo sol posto, lá subia ele pela terceira vez a ladeira, para abrir as portas ao pessoal que largava o trabalho e ali parava habitualmente para beber. Embora o seu vinho nem sempre fosse do melhor, não havia outra taberna próxima e lá lho iam consumindo, que no tarde apresentava sempre um “pico”, como lhe chamavam. Se alguém lho referia, respondia: se não gostas, não bebas, que eu acho-o bom. E para provar a sua qualidade, emparceirava com cada um, a quem pagava também a sua rodada.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O sacristão que se deslocava cronométricamente à igreja três vezes por dia para tocar os sinais, era porventura o que mais compartilhava as suas lamentações, já que este não deixava nunca, de cada vez, de ir lá beber uma selha de vinho. Era tal a sua regularidade que, logo que se houvia a última badalada, o ti Manél começava logo a preparar-lhe o copo. Era o único freguês que aparecia, na maior parte dos dias pela manhã e pela hora do meio dia. Por isso fazia questão de estar sempre presente porque era freguês de considerar.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Quando pelas dez horas da noite era obrigado a fechar, pegava na lanterna a petróleo e não raras vezes cambaleando, lá seguia ladeira abaixo à procura das couves que a mulher mantinha ao lume na panela de ferro.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A meio do caminho cruzava-se sempre com o irmão Joaquim que vinha igualmente da sua taberna no Salão de Cima, a caminho de casa. Era uma situação curiosa. Enquanto ele se deslocava para a sua casa  próxima da taberna do irmão, este deslocava-se para a sua, próxima da taberna dele. Dir-se-ia que o destino, por capricho de heranças, providenciou que os irmãos se cruzassem todos os dias àquela hora.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Anos e anos seguidos neste encontro diário a horas em que o cansaço era já manifesto e muitas vezes a cabeça toldada pelo vinho ingerido.  Cruzavam-se cumprimentando-se apenas com um ; Olá compadre!. Era assim que se tratavam. O Clarão da luz das suas lanternas aproximava-se, fundia-se e voltava a separar-se. Qualquer comentário era feito em movimento, por vezes já de costas a caminho das suas casas. Só algum acontecimento marcante ou troca de opiniões em qualquer negócio os fazia parar.                                  &lt;wbr /&gt;            &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A sua mulher, a tia Augusta, era uma pessoa circunspecta, pouco cordata. Constratava com o seu feitio bonacheirão e dado ao amoroso. Esperava-o sempre com cara de pau, sabendo de antemão que este já viria com um copito a mais. É sempre a mesma coisa, dizia-lhe, não há um dia que não venhas entornado. E depois a sopa vai para os porcos.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mais do que a sopa, apetecia-lhe chegar a casa para poder sentar-se ao lume e descalçar-se, aliviando as dores nos pés.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No dia seguinte, ao sol nado,  já o Ti Manél, amparado ao sacho que o acompanhava sempre, servindo de bangala, tinha percorrido novamente o caminho para Paio Mendes para tomar o seu mata-bicho, servir o sacristão e mais alguém que aparecesse.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Tinha fama de forreta mas não era sovina. Gostava de oferecer um copo a um amigo. E se considerava a ocasião especial ou tinha especial deferência pela visita, convidava-o mesmo para a adega, como sinal de consideração, fugindo ao ambiente da taberna, para evitar o constragimento de pagar o vinho que se bebia. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No verão de 1964, aquando do cumprimento do meu serviço militar, fui visitá-lo acompanhado por um colega, natural do norte, logo desconhecido na terra. Por consideração pela insólita visita, convidou-nos para a adega. Ali chegados pôs à nossa disposição o barril para que bebessemos o que nos apetecesse. Ele sentou-se numa pequena dorna virada para baixo porque os calos não lhe permitiam estar de pé muito tempo e seriamos nós a encher os copos. Pouco habituados a beber sem qualquer alimento, decidi correr à taberna e trazer dois copos de tremoços num prato de alumínio que a minha prima Nelita me serviu. Cada copo de tremoços custava, naquele  tempo, um tostão. Assim voltámos a beber mais um copo ou dois.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Acabada a visita e quando nos despediamos à porta da adega, o ti Manél virou-se para mim e disse: Oh! Carrrlos (ele carregava nos erres) olha que o vinho que bebeste e o teu amigo e mais o que te apetecer é por minha conta, mas quanto aos dois tostões de tremoços passa ali pela taberna e faz contas com a tua prrima.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Recordo ainda um dos momentos de maior felicidade que vivi quando teria 9 ou 10 anos de idade e ele me desafiou para ir com o seu burro ao ferrador, a Besteiras. Quase não dormi na noite anterior ao dia combinado para esta façanha. Quis o acaso que tivesse achado umas esporas ferrugentas que levei escondidas para utilizar logo que estivesse fora do alcance da sua vista. Com o burro encilhado e as recomendações dos cuidados a ter, lá arranquei serenamente até sentir que podia finalmente pôr as esporas e fazer voar o burro em corrida desenfreada. Ia eufórico, porque  estava a viver a aventura que imaginara nos sonhos da noite anterior. Até que despertei do sonho que estava a viver. Tinha chovido e no percurso, junto à traseira da casa do José Gaspar havia um grande lamaçal com água que assustou o burro e o fez parar repentinamente fazendo uma enorme derrapagem seguida de queda e me projectou por cima da sua cabeça para um grande banho de lama. Encharcados, eu e o burro, que consegui voltar a montar quando este ainda se tentava levantar, prossegui a viagem com novos encitamentos e esporadas que provocaram no burro tal descontrolo que resolveu sair do caminho e meter-se na vinha do Joaquim da Serrada como louco desvairado. Não fora os homens que andavam a trabalhar na vinha conseguirem refrear a besta e acalmá-la e não sei onde teria ido parar. Finalmente resolvi então seguir em marcha moderada e lá cheguei ao ferrador, que se surpreeendeu ao ver o burro todo suado e sujo de lama.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Recordo com saudade a sua figura simpática que deixou o vazio dos que, por serem marcantes, são insubstituíveis.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;Ccarifas&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/8777.html</comments>
  <lj:replycount>0</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/8626.html</guid>
  <pubDate>Tue, 01 Jun 2010 21:49:29 GMT</pubDate>
  <title>OH! TERRA, OH! QUE LINDA TERRA</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/8626.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Digo a toda a gente que conheço, quando se proporciona, que a minha terra é linda, com a vaidade própria de quem lá nasceu e lá mantém as raízes familiares e afectos, que revivo agora assíduamente.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A idade tudo leva e tudo traz, diz-se, com a evolução das mentes na aprendizagem do que a vida e a idade nos ensina.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Somos moldados para a vida nas múltiplas facetas que adoptamos com as experiências e aprendizagens que absorvemos  nos primeiros anos de vida.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Vivi até aos doze anos no mundo fechado da minha aldeia absorvendo os hábitos instalados dos que me rodeavam. Parti então para Lisboa onde me fixei até hoje com a inocência dos da minha condição.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Quando revisitava a minha terra uma vez por ano  ficava sempre deslumbrado a rever as mesmas coisas de sempre, no seu estado primitivo e estacionário. Grupos de homens com a enxada às costas, grandes extensões de plantações de batata, milho e feijão semeados,  carros arrastados por burros, mulas ou bois, regas das hortas com águas retiradas aos poços com as gaivotas à força de braços, rebanhos a pastar em  baldios, uvas pisadas com os pés para obter o mosto, limpeza e poda de àrvores com serrotes, descamisadas e debulhadas do milho nos serões de verão, ceifar e malhar o trigo na eira, idas à serra para apanhar gravetos, candeios, pinhas e agulho para acender as lareiras, roçar mato para as estrumeiras e para os currais, matar o porco para a salgadeira, amassar e cozer o pão para toda a semana em fornos a lenha, (que saudades da brindeira de milho cozida sobre uma folha de couve, com uma petinga  azeite e cebola no seu miolo), etc.  Pariam-se muitos filhos para garantir apoio para sobrevivência na velhice. Criavam-se porcos, cabras, ovelhas, coelhos e galinhas. Não havia reformas nem subsídios, não havia rádio, nem televisão, nem jornais. O dia terminava ao sol posto. Éramos auto-suficientes.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Hoje, no século seguinte, sento-me na soleira da porta da minha casa e sinto-me nostálgico ao estabelecer as diferenças que observo: Não vejo passar um único homem com enxada ou outra ferramenta para trabalhos no campo, poucos são os campos cultivados, passam carros de marca,  BMW , Mercedes e outros a alta velocidade, tractores com reboque que transportam as famílias, máquinas que pulverizam tudo, que arrancam àrvores e as cortam em madeira normalizada, máquinas que esmagam as uvas, máquinas que debulham o milho e o trigo, quando há,  padeiros que nos vêm vender pão, que já não precisamos cozer, peixeiros que nos vêm vender peixe, que já não precisamos pescar, carteiros que nos trazem o correio que já não é preciso ir levantar à loja. Não nos deixam criar o porco e matá-lo para conservar na salgadeira, para todo o ano. Já não se pode  dizer a ninguém: bom dia!, boa tarde!, boa noite!, porque não passa ninguém, calmamente, a pé.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Esta já não é a minha terra de então. Já não temos salgadeiras, agora substituídas pelas arcas frigoríficas, já não bebemos água da fonte ou do poço, porque nos canalizaram a água para casa, já não temos lanternas e candeeiros a petróleo ou azeite porque nos ligaram à rede de electricidade, já não precisamos de acender lareiras porque existe aquecimento a gáz, electricidade ou gasóleo, já não nos apetece sair para conhecer mundo porque temos a televisão que nos mostra tudo, já não precisamos ir  visitar ninguém para saber se estão bem porque temos telemóvel para lhes falar sem sair de casa, já não é preciso trabalhar porque os governos de agora ou nos dão a reforma ou subsídios de desemprego ou subsídios de reinserção social. Já não temos pobres para ajudar, porque a assistência social lhes  tráz comida a casa, ajuda-os a fazer a sua higiene e da própria casa.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Agora perguntam-me: A vida era mais interessante antigamente ou  actualmente. Por favor!!, vocês sabem a resposta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ccarifas&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/8626.html</comments>
  <lj:replycount>0</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/8224.html</guid>
  <pubDate>Thu, 19 Nov 2009 23:58:32 GMT</pubDate>
  <title>&quot;O SEMINÁRIO&quot;</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/8224.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center; margin: 0cm 0cm 10pt&quot;&gt;&lt;br clear=&quot;all&quot; /&gt;
 &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center; margin: 0cm 0cm 10pt&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%; font-size: 26pt&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/SEjsW2HzeH16WQ7UfWf3&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black; border-left-color: black&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;303&quot; height=&quot;279&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/SEjsW2HzeH16WQ7UfWf3/500x500&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; margin: 0cm 0cm 10pt&quot;&gt;&lt;span style=&quot;border-bottom: black 1pt; border-left: black 1pt; padding-bottom: 0cm; line-height: 115%; padding-left: 0cm; layout-grid-mode: line; padding-right: 0cm; background: black; color: black; font-size: 0pt; border-top: black 1pt; border-right: black 1pt; padding-top: 0cm&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center; margin: 0cm 0cm 10pt&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%; font-size: 12pt&quot;&gt;(António Gonçalves)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%; font-size: 12pt&quot;&gt;Nesta fase da minha vida de aposentado permite-me conhecer melhor, por via do convívio diário que se gera entre amigos na mesma situação, no quadro típico do reformado de hoje,  acomodado ao banco de jardim junto do quiosque que expõe os títulos dos jornais, que lemos, mas não compramos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%; font-size: 12pt&quot;&gt;Neste convívio, nascem relações curiosas a partir da discussão de temas que vão do desporto à política à história à sociologia à economia, etc, em função daquilo que cada um exprima, sabendo ou julgando saber. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%; font-size: 12pt&quot;&gt;Sem grandes vínculos de amizade ou maior proximidade aos círculos familiares estes encontros diários tornam-se indispensáveis, para muitos, para a manutenção do equilíbrio da mente de quem se sente desactivado de afazeres profissionais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%; font-size: 12pt&quot;&gt;Onde exista um grupo de individuos, geram-se por natureza as óbvias diferenças naturais entre estes, destacando-se cada um, mais, ou menos, em função das suas capacidades e/ou conhecimentos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%; font-size: 12pt&quot;&gt;Da minha posição no grupo, geralmente de ouvinte, constacto diferenças profundas entre cada um de nós, no estilo e na forma, sendo que todos são personagens marcantes que atraem, na evidência das suas particularidades, com experiências de vida diferenciadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt&quot;&gt;Dado as minhas naturais dificuldades de loquacidade e à melhor aptidão para as retratar pela escrita, sou por norma mais observador que interventor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt&quot;&gt;Existe neste grupo de &amp;ldquo;desactivados&amp;rdquo; um personagem que o enriquece, abrilhanta, esclarece e até o diverte. Quando o &amp;ldquo;Seminário&amp;rdquo; não aparece nas horas previstas, todos se interrogam: Será que ele hoje não aparece? Sente-se a sua falta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt&quot;&gt;Com efeito, o Seminário, por quem nutro consideração e estima é um homem de corpo inteiro, com um comportamento social exemplar e com uma história de vida notável que a maioria dos da sua geração não soube conquistar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt&quot;&gt;Nascido no Campo Grande, em clima de pobreza, de pais migrantes do norte, à semelhança de outros que fazem parte deste grupo, percorreu diversas etapas, uma das quais na &amp;ldquo;ferrugem&amp;rdquo;, (serralheiro) como ele diz, até se fixar na Banca onde fez carreira profissional até se aposentar, depois de, já em adulto, ter decidido estudar e concluir o 12º ano com a facilidade que a sua inteligênciia e determinação lhe permitiu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt&quot;&gt;Orador nato, arguto e esclarecido, aborda qualquer tema, quer seja de política, do desporto, de economia ou o que quer que seja, apondo-lhe doses qb de ironia e humor. Bastante viajado e leitor de coisas substantivas revela uma cultura geral muito acima da média. Se algum dos amigos lhe chama, por ignorância, de tretas, é porque não sabe nem consegue reconhecer o conteúdo do seu discurso. Não é conflituoso, aceitando ou combatendo diferenças de opinião com a força da sua argumentação. Nunca se altera ou irrita com a divergência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt&quot;&gt;A viver o drama familiar da grave doença da sua mulher, tem uma atitude e um comportamento exemplar. A dedicação e carinho que lhe dedica chamando a si todas as tarefas domésticas e a higiene pessoal dela, ainda arranja tempo para dar apoio e assistência aos pais idosos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt&quot;&gt;Felizmente, também consegue arranjar um tempo diário para conviver connosco. As tertúlias junto ao quiosque do Barão sem a sua presença não têm o mesmo sabor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt&quot;&gt;Coloco-o no meu álbum de boas recordações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt&quot;&gt;CCarifas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; margin: 0cm 0cm 10pt&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify; margin: 0cm 0cm 10pt&quot;&gt; &lt;/div&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/8224.html</comments>
  <lj:replycount>1</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/7990.html</guid>
  <pubDate>Wed, 04 Nov 2009 13:08:32 GMT</pubDate>
  <title>DESPORTISTAS FERREIRENSES - MANUEL FERREIRA</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/7990.html</link>
  <description>&lt;h5 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;Quis o acaso que descobrisse no Jornal da Amadora uma pequena notícia, recordando, &lt;/span&gt;pela&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt; pena de um seu amigo de 84 anos&lt;/span&gt; que &lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;com ele ainda conviveu,&lt;/span&gt; &lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;um&lt;/span&gt; &lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;Ferreirense que atingiu notoriedade no ciclismo nos finais do século XIX e príncípio do século XX.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/h5&gt;
&lt;h5 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;Não sendo o nosso concelho muito pródigo em gerar desportistas de nomeada, parece-me de forte interesse divulgar esta figura que cometeu proezas assinaláveis num tempo em que o desporto era puramente amador e quem o praticasse era por muitos tido como excêntrico ou louco.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/h5&gt;
&lt;h5 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;Manuel Ferreira nasceu em Ferreira do Zêzere em  1870 e faleceu em 24 de Setembro de 1954, na Amadora.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/h5&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center&quot;&gt; &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/KLgVWRZSmlEha7MsMfdO&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black; border-left-color: black&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;242&quot; height=&quot;255&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/KLgVWRZSmlEha7MsMfdO/340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h4&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;Transcrição do essencial da notícia publicada no Jornal da Amadora de 8 de Outubro de 2009:&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;
&lt;h4 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Helvetica&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: sans-serif&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman&quot;&gt;&amp;quot;Manuel Ferreira passava pelas ruas da Amadora montado no seu biciclo de roda dianteira gigante e roda traseira minúscula, uma verdadeira imagem que já nesse tempo parecia de lenda e fantasia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;
&lt;h4 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Co&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;rrendo de dia e de noite, Manuel Ferreira estabeleceu em 1896 o primeiro recorde ciclista entre Madrid e Lisboa, no Velódromo D. Amélia e percorreu as principais pistas de Portugal e de Espanha. Veio do Porto a Lisboa em menos de vinte horas e chegou a ser professor de ciclismo dos membros da Família Real, que muito o estimavam. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;
&lt;h4 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Proeza de vulto cometeu Manuel Ferreira em Maio de 1900, quando subiu a íngreme Calçada da Glória em bicicleta. Rodeado e acarinhado por numeroso público, o então popular ciclista, mercê do seu extraordinário poder atlético, entre palmas e incitamentos, alcançou o cimo da ladeira. Mas a proeza não ficou por ali. Sem temer o perigo de uma queda desastrosa, Manuel Ferreira lançou-se na descida da calçada, vindo a ser recebido em apoteose pelos que o tinham visto iniciar a subida. Registe-se que o elevador da Glória tinha sido inaugurado em 1885.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;
&lt;h4 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Mais tarde, Manuel Ferreira distinguiu-se também no motociclismo, vindo a ser recordista do histórico Quilómetro da Valada, em 1906. E à história do automóvel em Portugal está também ligado o nome de Manuel Ferreira, que no final dos anos quarenta contribuiu para a identificação do primeiro automóvel que entrou no nosso país, um &amp;quot;Panhard &amp;amp; Levassor&amp;quot; de 1895, desde há muito propriedade do Automóvel Clube de Portugal.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;
&lt;h4 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Manuel Ferreira veio viver para a Amadora em 1935 com seu irmão Bernardino, poucos anos mais novo. Moravam na Venteira, no alto da Rua 1º de Dezembro, com residência e oficina de reparação de bicicletas. Uma ou duas vezes acompanhei Manuel Ferreira ao Lumiar, ele no seu biciclo e eu na minha bicicleta para assistirmos à chegada dos ciclistas que disputavam a volta a Portugal.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;
&lt;h4 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Veio Manuel Ferreira a falecer na Amadora em 24 de Setembro de 1954, curiosamente com a mesma idade que tenho agora, 84 anos. Quem se lembrará de Manuel Ferreira na Amadora? Era natural de Ferreira do Zêzere e começou a praticar ciclismo em Portugal, antes de vir para Lisboa. (Vasco Callixto)&amp;quot;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;
&lt;h4 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Fica-me a curiosidade e a expectativa de haver,  entre os que visitem este blog, tenham conhecimento desta figura e saibam das suas raízes familiares e local de nascimento. Permito-me lançar repto ao dr. Paulo Neves, investigador apaixonado de tudo o que &amp;quot;cheire&amp;quot; a Ferreira do Zêzere&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/h4&gt;
&lt;h5&gt; &lt;/h5&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot;&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/7990.html</comments>
  <lj:replycount>0</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/7838.html</guid>
  <pubDate>Mon, 26 Oct 2009 14:25:41 GMT</pubDate>
  <title>FOI PRÓ MANETA</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/7838.html</link>
  <description>&lt;h3 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;Esta expressão faz, ainda hoje, parte do nosso vocabulário do dia a dia. Qual a sua origem?&lt;/h3&gt;
&lt;h3 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;Durante as três invasões francesas, entre 1807 e 1811, o chefe da polícia invasora foi o terrível general Loison, que era maneta. E quando algum patriota português lhe caía nas mãos (ou melhor, na mão!) nunca mais aparecia. &amp;quot;Ia para o maneta....&amp;quot;. A partir de então, pouco a pouco, o povo passou a usar a expressão com o sentido que tem hoje.&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/7838.html</comments>
  <lj:replycount>1</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/7447.html</guid>
  <pubDate>Mon, 26 Oct 2009 14:05:09 GMT</pubDate>
  <title>&quot;IMPERIAL&quot;</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/7447.html</link>
  <description>&lt;h4 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;Quando pedem uma imperial já se questionaram porque se chama assim?&lt;/h4&gt;
&lt;h4 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;No Porto, por exemplo, diz-se &amp;quot;fino&amp;quot;, mas a razão é fácil de perceber: porque os copos em que se serve a cerveja são habitualmente finos, estreitos.&lt;/h4&gt;
&lt;h4 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;Mas porquê &amp;quot;imperial&amp;quot;?&lt;/h4&gt;
&lt;h4 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;No começo do século XX, a principal produtora de cerveja em Portugal, era a Fábrica Germânica Imperial, que foi a primeira a vender cerveja à pressão. Portanto, uma &amp;quot;Imperial&amp;quot; não era senão um copo de cerveja da Germânia Imperial, nacionalizada na I Guerra Mundial, hoje conhecida como Portugália.&lt;/h4&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/7447.html</comments>
  <lj:replycount>0</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/7177.html</guid>
  <pubDate>Mon, 26 Oct 2009 12:46:16 GMT</pubDate>
  <title>&quot;PÔR NO PREGO&quot;</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/7177.html</link>
  <description>&lt;h4 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt; &lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;&lt;span&gt;Quem vai a uma casa de penhores ainda diz: vou pôr no prego&amp;quot;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;
&lt;h4 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;&lt;span&gt;Se se pergunta o significado desta expressão, as pessoas associam-na ao facto de muitas das coisas empenhadas se poderem pendurar em pregos, como um colar, um anel, uma pulseira. Nada disso: a expressão nasceu na segunda metade do século XIX, porque a maior parte das casas de penhores pertenciam a um prestamista de apelido &amp;quot;Prego&amp;quot;. Então &amp;quot;pôr no prego&amp;quot; era &amp;quot;pôr no Prego&amp;quot;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot;&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/7177.html</comments>
  <lj:replycount>1</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/7120.html</guid>
  <pubDate>Mon, 26 Oct 2009 12:26:26 GMT</pubDate>
  <title>&quot;QUE BELA POMADA&quot;</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/7120.html</link>
  <description>&lt;h5 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Todos conheceremos esta expressão, mas poucos saberão a sua origem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h5&gt;
&lt;h5 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Em 1916, como se sabe, Portugal entrou na I Guerra Mundial, ao lado dos Aliados, enviando dezenas de milhares de soldados para a Flandres e para o Norte de França.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h5&gt;
&lt;h5 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;A maioria destes soldados nunca tinham visto mais do que os estreitos horizontes da sua aldeia. A guerra das trincheiras seria para eles uma duríssima provação e uns bons milhares ficaram para sempre sepultados em terra estranha.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h5&gt;
&lt;h5 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt; &lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Mas, de vez em quando, os da linha de combate eram substituidos para gozarem uns breves dias de repouso. Iam então às aldeias e cidades francesas próximas da frente, às &amp;quot;casas de meninas&amp;quot; e às tabernas. Bebiam geralmente vinho corrente, porque para mais não dava o magro pré. A não ser quando algum mais abonado resolvia comprar vinho engarrafado.Uma &amp;quot;botelha&amp;quot; de um dos grandes e afamados vinhos de Bourgogne.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h5&gt;
&lt;h5 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Os nossos soldados dificilmente chegariam a um Chambertin ou a um Clos-Vougeot, muito menos ainda a um Romanée-Conti. O vinho  de preço mais acessível era o Pommard.E, bebendo este raro nectar, muito melhor que qualquer outro que já lhes tinha descido pela garganta, exclamavam: &amp;quot;Que pomada&amp;quot;!.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h5&gt;
&lt;h5 style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Quando regressaram a Portugal, os combatentes da Flandres trouxeram na memória o gosto do Pommard. E, se um dia voltavam a provar um vinho que se lhe assemelhasse, voltavam a exclamar:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h5&gt;
&lt;h5 style=&quot;text-align: center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;u&gt;&lt;span&gt;&amp;quot;.&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;..isto é cá uma pomada!&amp;quot;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h5&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/7120.html</comments>
  <lj:replycount>0</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/6681.html</guid>
  <pubDate>Sat, 21 Mar 2009 18:49:17 GMT</pubDate>
  <title>A MENINA ROSA (Rosa Alcobia Granja)</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/6681.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: center&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%&quot;&gt;A BOA V&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%&quot;&gt;IZINHA&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center&quot;&gt; &lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/EbNEvJ7ZhrnWchtzGV9G&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;238&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;356&quot; align=&quot;middle&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/EbNEvJ7ZhrnWchtzGV9G/340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt; line-height: 115%&quot;&gt;Desde criança que me habituei a entrar na sua casa como se minha fosse. Ainda hoje o faço, quase inconscientemente, sem noção de que ela já ali não está e que por isso deveria manter a equidistância que a boa educação exige. Ainda assim, continuo a sentir-me em casa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt; line-height: 115%&quot;&gt;O seu aspecto distinto com a sua pele muito branca que faria inveja a muitas frequentadoras de salões de beleza não revelava a força de trabalho incansável que aplicou toda a vida nas diversas tarefas de uma mulher ligada à agricultura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt; line-height: 115%&quot;&gt;Criou quatro filhos, com quem brinquei desde criança e com quem mantenho boas relações de amizade. Mãe austera e exigente, mas amiga e protectora, ajudou-os na formação do seu carácter e na descoberta do caminho de uma vida honesta e digna.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt; line-height: 115%&quot;&gt;Brincalhona, era, sobretudo no carnaval, das pessoas que mais gostavam de pregar partidas, que fazia de forma sub-riptícia, provocando a desconfiança de quem a via aproximar-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt; line-height: 115%&quot;&gt;Ainda hoje se sente a falta da sua figura a circular nos caminhos do Fundo da Rua na azáfama dos seus afazeres.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt; line-height: 115%&quot;&gt;Manteve com a minha mãe uma relação de amizade e de protecção que não esqueço. Quando  aparecia em casa da minha mãe  trazia sempre um mimo. Por vezes trazia  um ovo em cada bolso do avental. Outras vezes apareciam na gaveta da mesa que existia debaixo do alpendre outras surpresas, como um queijo, uma morcela ou qualquer outro acepipe. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt; line-height: 115%&quot;&gt;Muitas vezes, quando não encontrava a minha mãe em casa, deixava sinais que representavam um convite para a toma de um cafézinho cozido, que elas entre si percebiam e praticavam no segredo das suas cumplicidades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt; line-height: 115%&quot;&gt;Existem factos na nossa vida que não valorizamos na sua decorrência e  só no amadurecimento da idade e na ausência definitiva dos protagonistas reconhecemos com maior justeza os méritos daqueles com quem convivemos e de quem sentimos saudades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt; line-height: 115%&quot;&gt;Deixo-lhe a minha homenagem e o meu reconhecimento, acolhendo-a no meu álbum das boas recordações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt; line-height: 115%&quot;&gt;CCarifas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/6681.html</comments>
  <lj:replycount>1</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/6619.html</guid>
  <pubDate>Sun, 14 Dec 2008 21:33:11 GMT</pubDate>
  <title>UM MINISTRO EM PAIO MENDES</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/6619.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;span id=&quot;1229291960641S&quot; style=&quot;display: none;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/Z1NLYo57zzVMRjF8Iycn&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/Z1NLYo57zzVMRjF8Iycn&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;display: none;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/Z1NLYo57zzVMRjF8Iycn&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;display: none;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/Z1NLYo57zzVMRjF8Iycn&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/Z1NLYo57zzVMRjF8Iycn&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/hUCLck6jPKiZZdZh9jJT&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/bc3011f97/6339768_r4g4P.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/Z1NLYo57zzVMRjF8Iycn&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;display: none;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;display: none;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;display: none;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estamos em 1 de Maio de 1955, tinha eu 12 anos vivendo na casa dos meus pais na Freguesia de Paio Mendes, no lugar de Fundo da Rua.&lt;/p&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;Neste tempo, para podermos pisar alcatrão precisavamos  ir até a Besteiras onde circulavam pouco mais que as camionetas das carreiras da Companhia de Viação de Cernache e os camiões, Magirus, carregados de cimento para a construção da barragem do Cabril, que ouviamos roncar à distância na passagem pelos Vales até à serra da Junqueira, como se de música se tratasse.  Lisboa ficava a um dia de distância.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt; Nos caminhos da freguesia, esburacados,  lamacentos e estreitos, com profundos rasgos feitos pelas rodas das carroças ou pelas aguas das chuvas, apenas circulavam pessoas e animais,  em movimentos pachorentos,  ao pobre estilo de vida da época, fechada e sem horizontes, sem qualquer comunicação com o exterior. Vivia-se de Sol a Sol. Apenas as lareiras ou as candeias alimentadas a azeite faziam adiar por pouco tempo para lá do pôr do sol o aconchego dos corpos cansados aos colchões recheados de camisas de milho até à madrugada seguinte, para irem repetindo, dia a dia, as tarefas cíclicas que a natureza e as estações do ano impunham.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;Nada alterava o ritmo de vida das populações, com excepção das festas anuais que a música e os foguetes agitavam uma vez por ano.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;Neste tempo, contudo, já começara alguma migração, sobretudo com destino a Lisboa na procura de melhores proventos e qualidade de vida. Destacava-se sobretudo a procura de raparigas novas e solteiras para servirem como criadas em casas de famílias mais ou menos abastadas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;Alguns rapazes também partiam na procura de trabalho nas obras, na carris, na polícia, marçanos, ou agarrando a primeira oportunidade de trabalho que lhes surgisse.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;Localmente também havia quem contratasse raparigas de tenra idade para os servir, muitas vezes a troco, apenas de alojamento e alimentação. Aqui, quanto menos abastado fosse o patrão maior era o regime de escravatura a que eram sujeitas. Havia mesmo alguma crueldade na exploração do trabalho infantil de crianças ainda de tenra idade, numa fase em que a escola deveria ser apenas a sua única preocupação. &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;Partir para Lisboa era então ter como destino um paraíso desconhecido. As raparigas partiam sem cinto de castidade, mas com a convicção da obediência e do respeito que sentiam ter como dever, incutido pelos pais e pelo forma de estar na vida, própria desta época.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;Das minhas cinco irmãs, três partiram para Lisboa ainda novas com “carta de chamada” para trabalhar em casas diferentes, onde iniciaram a construção das suas vidas, com a dignidade que o seu carácter ajudou a formar.&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/kcZPVLK0k210StPOZtmz&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-color: black;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/kcZPVLK0k210StPOZtmz/340x255&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;207&quot; height=&quot;255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoCaption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; color: #4f81bd;&quot;&gt;Eu e as minhas 5 irmãs no dia do casamento da Maria Luisa, passados 53 anos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;De entre estas destaca-se a história da Maria Luiza, que culminou numa espécie de conto de fadas com a realização do seu casamento na igreja de Paio Mendes. Foi a primeira noiva a casar-se ali com o agora tradicional vestido de noiva branco. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;O noivo e ainda hoje seu marido, passados mais de 50 anos, com as bodas de ouro já celebradas é o Joaquim da Silva Louro, natural do Casal da Mata, freguesia de Dornes, que tinha migrado igualmente para Lisboa, na procura também de melhores condições de vida. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;Havia a tendência para o acasalamento dos naturais das mesmas regiões, com algumas excepções.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;Este, depois de várias experiências de trabalho acabou por abraçar a carreira militar na área da saúde, sendo já, à data do casamento,&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;  &lt;/span&gt;graduado em Furriel. O facto de se apresentar fardado na cerimónia acrescentou-lhe ainda maior inedetismo aquele que ela já por si representava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;Mas voltemos atrás para relevar o acontecimento deste casamento que se transformou, provávelmente, no acontecimento mais mediático alguma vez verificado na nossa freguesia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;A minha irmâ fôra para Lisboa trabalhar para a casa do então Ministro das Obras Públicas, Engº Arantes de Oliveira, ministro de Salazar, que construiu a agora designada ponte 25 de Abril, onde se manteve até casar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/WAf36m1MlRj31upY0Yig&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-color: black;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/WAf36m1MlRj31upY0Yig/340x255&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;255&quot; height=&quot;255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoCaption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; color: #4f81bd;&quot;&gt;Os noivos depois de casados, reconhecendo-se da esquerda para a direita o Sr. Capitão Pires &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt; &lt;/span&gt;o Sr. Ministro e a esposa e o Padre Rilhó&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;Pelas suas qualidades de trabalho e caracteristicas&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;  &lt;/span&gt;pessoais, granjeou a amizade e o respeito, quer do Engº Arantes de Oliveira quer da sua esposa, D. Cristina, amizade que se manteve até à morte deles.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;Pese embora as enormes diferenças de &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt; &lt;/span&gt;estrato social, ofereceram-se gentilmente para serem os seus padrinhos de casamento, como se veio a verificar igualmente com o seu filho Engº Eduardo Arantes de Oliveira que apadrinhou a única filha que resultou desta união.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;Quase inimaginável seria prever a sua disponibilidade para se deslocarem até Paio Mendes para assistir à cerimónia do seu casamento, juntando-se ao cortejo de uma família humilde, no interior rural, tão distante da capital.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;Tratava-se de uma figura notável do Estado Novo,&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;  &lt;/span&gt;que revelou tamanha humildade quanto era a &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt; &lt;/span&gt;casa dos meus pais, onde compareceu e permaneceu em ameno convívio, num beberete original quão estranho para os hábitos conhecidos nestas circunstâncias, para a época.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 11pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-theme-font: minor-latin; mso-hansi-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Times New Roman&amp;#39;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi; mso-fareast-language: EN-US; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-language: AR-SA;&quot;&gt;Conhecida a notícia do evento, com a presença de tão alta figura do Estado, criou-se um ambiente de expectativa e curiosidade que se espalhou pela região, próxima e longínqua, que acabou por arrastar pesssoas de várias localidades para assistir à cerimónia (vieram pessoas do outro lado do rio Zêzere).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt; &lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/rznhZoqoSdfJqZnyAzOl&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;img style=&quot;width: 250px; display: block; height: 276px; margin-left: auto; margin-right: auto; border-color: black;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/rznhZoqoSdfJqZnyAzOl/340x255&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;185&quot; height=&quot;255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoCaption&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: center;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; color: #4f81bd;&quot;&gt;Os noivos junto à casa das &quot;Machadas&quot; no início da travessa do Fundo da Rua perto da antiga fonte de Paio Mendes, ladeados pelo sr. Capitão Pires, padrinho do noivo e a D. Cristina, madrinha da noiva e esposa do Sr. Ministro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;Naquele tempo, a fonte de Paio Mendes localizava-se em frente ao portão do desactivado lagar de azeite de Gualdim Pais e a azinhaga, agora toponímicamente designada Travessa do Fundo da Rua, e que era o melhor caminho de acesso à casa dos meus pais. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;A população vizinha encarregou-se de limpar e adornar este caminho, espalhando junco e flores até à casa dos meus pais, para que os ilustres visitantes o percorresssem como se de uma passadeira se tratasse,  sob a curiosidade de muito povo que os observava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;Ali chegados, , o &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Padre Rilhó, pároco da freguesia, &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt; &lt;/span&gt;fez um pequeno discurso de boas vindas na humilde sala de jantar da casa de meus pais, em nome do meu pai, que era, à semelhança da generalidade dos homens do seu tempo, analfabeto. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;Assistiram ainda à cerimónia o Presidente da Câmara de então e e os representantes autárquicos locais. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;Foi aproveitada a ocasião, neste dia, para solicitar ao sr. Ministro o financiamento para o arranjo da estrada de Besteiras a Dornes, que, naquele tempo, não tinha condições ideais para a circulação de viaturas. Passado um mês já havia trabalhos de marcação dos trabalhos e o financiamento chegou à Câmara, mas terá sido desviado para outros interesses.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;Foi, com efeito, um acontecimento notável que eu mantenho vivo na memória até pelo facto, marcante para mim, de ter sido presenteado pelo sr. Ministro com 300 escudos (imagine-se quanto representava naquele tempo este valor) para que eu comprasse um borrego para criar. Mais tarde quando o visitei na sua casa em Lisboa e tomámos juntos, no seu escritório, um cálice de vinho do porto (tinha então 13 anos) questionou-me sobre os resultados do negócio com o carneiro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;Devo referir que, sem o imaginar naquele tempo,&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;  &lt;/span&gt;quer a família Arantes e Oliveira, mas sobretudo a minha irmã e cunhado viriam a ser determinantes na construção do meu início de vida, acolhendo-me na sua casa em Lisboa durante largos anos, enquanto fui solteiro, fugindo assim ao destino da pobreza de mais um trabalhador rural da década de 50.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;Na casa que foi dos meus pais, agora reconstruida, os Louros gozam agora merecidamente a reforma, nesta fase da sua já longa vida, no conforto de um lar acolhedor que eles preferem ao de Lisboa, depois de uma longa vida de trabalho cumprida, com a harmonia e o respeito de um casal inseparável que mútuamente se protege depois de mais de meio século decorrido desde o seu casamento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri; font-size: small;&quot;&gt;ccarifas&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/6619.html</comments>
  <lj:replycount>3</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/6239.html</guid>
  <pubDate>Sat, 13 Dec 2008 12:54:02 GMT</pubDate>
  <title>O MEU NÚCLEO FAMILIAR E OS AMIGOS</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/6239.html</link>
  <description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: center&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 16pt; line-height: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;A importância da envolvência familiar e dos amigos, na vida de cada de nós, tem para mim o valor da riqueza correspondente, para outros, do diamante, do ouro, da prata e de todos os metais preciosos que a natureza conhece. As relações familiares no modelo em como os da minha idade &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;as entendem&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;  &lt;/span&gt;são como um aroma de sentimentos que alimenta a endómita vontade de sobreviver, apenas para manter a proximidade dos afectos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;Sou por natureza introvertido e avesso a manifestações de exuberância nas manifestações de actos de afecto que se aprendem ou são&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;assimilados por costumes, que a tradição dos hábitos hábilmente nos ensina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;Sinto-me muitas vezes desenquadrado nas manifestações de sentimentos, nos rituais das saudações das chegadas ou nas despedidas dos que chegam ou partem, tal como o surdo-mudo que, sentindo-os, não lhe dá expressão, embora os arquivos da sua alma e do &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;seu coração, contenham &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;matrizes iguais aos que choram ou gritam por emoção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;Nunca como hoje, no meu caso pessoal, aqueles valores são tão determinantes para a manutenção saudável do sentido do viver, que quero manter, alicerçado na proximidade dos tais afectos que sinto existirem à minha volta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;Apesar da gravidade da doença que me atingiu, mantive a esperança de conseguir que fosse debelada, por saber que a medicina já tem técnicas de combate eficazes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;A outra parte, para o sucesso da cura, ficarei a devê-la aos familiares, amigos e a mim próprio, porque animado pelas manifestações de carinho e amizade que recebi, senti a esperança a força e a determinação que me incutiram, exigindo-a, merecendo que eu me esforçasse &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;para conseguir ter a força de as ter. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;Posso entretanto afirmar, com base nas informações médicas que recebi, que a doença está ultrapassada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;A todos deixo um forte abraço de amizade e agradecimento pelo apoio prestado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;Ccarifas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/6239.html</comments>
  <lj:replycount>2</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/6090.html</guid>
  <pubDate>Tue, 24 Jun 2008 19:15:26 GMT</pubDate>
  <title>O GRACIANO DO CASAL DA MATA</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/6090.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center&quot;&gt; &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/zrjpc38cwbNeSQeBEeQw&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; width: 219px; border-top-color: black; height: 279px; border-right-color: black&quot; height=&quot;255&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;174&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/zrjpc38cwbNeSQeBEeQw/340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;Já falecido há largos anos em acidente de trabalho enquanto funcionário da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere, curiosamente em trabalhos na estrada de Dornes, muito próximo da sua casa, era uma figura original e muito notória devido a características pessoais e familiares que o evidenciavam no nosso pequeno mundo rural.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot;&gt; &lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;Com efeito, Graciano tinha uma figura imponente, com 1,99m de altura, sendo seguramente o homem mais alto da região. Em contraste com a sua elevada estatura, era casado com uma senhora do Outro Lado do Rio, terra de toda agente que viesse daqueles lados, (ainda viva) que é, por oposição, a mulher mais baixa que se conhece em toda a região (talvez com 1,20m)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0.9pt 0pt 3.6pt; line-height: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm auto; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;Era eu ainda criança quando se casaram e lembro-me  dos comentários jocosos a &lt;span&gt;propósito do enlace destas duas figuras tão contrastantes e do sucesso do encaixe conjugal que dali resultaria, nas perfomances de desempenho no acasalamento. O povo rural é por vezes cruel &lt;/span&gt;e injusto nos gozos que extrapolam aos seus iguais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm auto; text-align: justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm auto; line-height: normal; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;Graciano era um homem inteligente, afável, pacífico e excelente conversador, manifestando conhecimentos que a maioria das pessoas não tinham. Tinha mesmo hábitos de leitura de livros indiferenciados que lhe eram oferecidos por um vizinho que residia em Lisboa e ali ia passar férias.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm auto; line-height: normal; text-align: justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm auto; line-height: normal; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;Recordo-me também que, quando frequentava a taberna do meu pai, falava comigo com o geito de falar a uma criança como poucos sabiam , sem referências a questões de índole erótica como a maioria dos homens estùpidamente tinham tendência a fazer com crianças da minha idade. (Já pintas? Já passas-te ao Pintado, já namoras, etc). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm auto; line-height: normal; text-align: justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm auto; line-height: normal; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;Trabalhou desde muito novo em todas as fainas sazonais para que era falado para &amp;ldquo;andar fora&amp;rdquo;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm auto; line-height: normal; text-align: justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 0cm auto; line-height: normal; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;Um dia, andava ele na apanha de azeitona com outros trabalhadores, entre os quais a Bernardina do &amp;ldquo;Quétano&amp;rdquo;, já falecida também, mulher atrevida, brincalhona e que sempre gostou do copito. Meteu-se com ele em geito de gozo, chamando-lhe roncolho, por saber-se que ele tinha um testículo recolhido.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 12pt 0cm 0pt; line-height: normal; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;Sem hesitações, respondeu-lhe em verso com a seguinte quadra, acutilante e brilhantemente construída:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 12pt 0cm 0pt; line-height: normal; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;                                        &lt;wbr /&gt;   Já dormi na tua cama&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 2.85pt 0pt 5.65pt; line-height: 12pt&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;Já mijei no teu  penico&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 2.85pt 0pt 5.65pt; line-height: 12pt&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;                                        &lt;wbr /&gt; Tirei-te os três vinténs&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 0cm 2.85pt 0pt 5.65pt; line-height: 12pt&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;              Nem por isso estou mais rico&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 6pt 0cm auto; line-height: normal; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;Esta arrasadora resposta, feriu de tal modo a honra e dignidade da suposta virgem Bernardina, que a levou a deslocar-se à sede do concelho para apresentar queixa no posto da GNR. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 6pt 0cm auto; line-height: normal; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;Não conheço o desfecho nem as consequências que terão resultado da queixa. No mínimo  terá sofrida a perda de um dia de trabalho e obrigado a calcorrear os 15 Km a pé para se deslocar até à Vila, no que terá sido a pena menor que terá tido que suportar, devido à sua inspiração poética declamada do alto de uma oliveira, que só a dita Bernardina não aplaudiu. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 6pt 0cm auto; line-height: normal; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;Até Camões  morreu incompreendido e na miséria.........&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 6pt 0cm auto; line-height: normal; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;As queixas mesquinhas às autoridades em desentendimentos apenas por troca de palavras consideradas  ofensas &amp;ldquo;à minha pessoa&amp;rdquo; eram muito comuns e levadas à justiça em defesa de brios que a miséria das suas vidas reclamava para a sua própria dignificação, apesar do espirito de humor muito próprio que havia entre as gentes, que com sarcasmo e uma habilidade própria da sua linguagem, transmitia por vezes recados e missivas que se diluiam em pura galhofa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin: 6pt 0cm auto; line-height: normal; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial&quot;&gt;&lt;span&gt;Ccarifas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/6090.html</comments>
  <lj:replycount>2</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/5771.html</guid>
  <pubDate>Fri, 29 Feb 2008 19:51:10 GMT</pubDate>
  <title>A MINHA MÃE</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/5771.html</link>
  <description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: center&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 16pt; line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;DARLINDA DOS SANTOS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: center&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 16pt; line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Tahoma&quot;&gt;Todos temos por hábito dizer: A minha mãe é a melhor mãe do mundo. Por vezes, nalguns casos, essa afirmação pode pecar por exagero. Porém, no caso concreto da minha mãe,&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;  &lt;/span&gt;posso afirmar convictamente, que se tratava de um caso ímpar de pessoa carinhosa, bondosa, afável, conciliadora, terna, pacífica e amorosa. A atestá-lo, sobrevivem os testemunhos de todos os seus seis filhos, genros, netos, sobrinhos e amigos. Quem aborde, ainda hoje, qualquer pessoa que com ela conviveu, recordando-a, fica surpreendido com as manifestações de saudade e reconhecimento das suas qualidades humanas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Tahoma&quot;&gt;A minha mãe, continua presente na casa de cada um de nós, onde é recordada muito frequentemente. As minhas irmãs quando se juntam, não raro se ouvem a descrever os momentos de felicidade vividos com a nossa mãe recordando incidências vividas com os carinhos e cumplicidades que as divertiam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Tahoma&quot;&gt;Nascida em 1900, faleceu em 1982, com 82 anos de idade, rodeada da ternura e carinho que &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;as suas filhas, Maria Angelina, Maria Luiza, Palmira e Maria Augusta, lhe dedicaram. A Maria Emília vivia e ainda vive em Londres. A presença da minha mãe na casa de cada uma, onde passou nos últimos anos da sua vida, períodos de tempo, por sofrer de problemas cardíacos, era disputada por cada uma como um direito adquirido, sem cedências, porque a sua presença era motivo de grande satisfação pelo ambiente de alegria e carinho que era proporcionado recíprocamente. Quando saía da casa de cada uma das filhas para se instalar noutra, deixava a saudade dos que não gostamos de ver partir. A atestá-lo, porque pouco vulgar, os testemunhos vivos de todos os seus genros que falam dela ainda hoje com mais carinho e saudade (eles que me perdoem a inconfidência) que das suas próprias mães.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Tahoma&quot;&gt;Se pensarmos nas condições dos tempos em que viveu, no trabalho duro, nas naturais carências da época, poderia, como outras, ter o coração endurecido pelas labutas que enfrentou. Imagine-se uma mãe com seis filhos, numa época em que o conhecimento dos hábitos de educar os filhos era em muitos casos &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;mso-bidi-font-style: normal&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Arial&quot;&gt;gerido pela violência e intimidação, nunca me bateu, nem sequer com&lt;/font&gt; a&lt;/em&gt; tradicional palmada, que qualquer mãe pode dar a um filho. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Tahoma&quot;&gt;A sua ternura e complacência foi marcante para todos nós e para quem a conheceu. Enternece-me, por exemplo, ainda hoje, ouvir falar dela pelos vizinhos mais próximos que com ela conviveram desde crianças, como a Mitocas a Maria e a Lena, bem como a sua falecida mãe, a Menina Rosa, assim tratada carinhosamente por todos, que a socorriam no seu pânico às trovoadas, quando viveu sózinha, depois da morte do meu pai. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Tahoma&quot;&gt;Apesar da prevalência do analfabetismo no seu tempo a minha mãe lia e escrevia correctamente, ainda que não tivesse frequentado a escola e tinha uma vasta cultura popular, que não exibia. Sabia um enorme reportório de histórias, ditados, contos populares e cantigas, que nos ensinava nos serões passados à lareira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Tahoma&quot;&gt;Considero-me, perdoem-me a vaidade, um previligiado, por ter tido uma mãe tão boa e carinhosa como foi a minha e que por isso continua ainda omnipresente nas nossas vidas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Tahoma&quot;&gt;Escrevi em tempos dois versos que lhe dediquei e que deixo aqui para voltar a homenageá-la:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Constantia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Tahoma&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;   &lt;/span&gt;&lt;font face=&quot;Georgia&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;À minha Mãe&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: normal; text-align: justify&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: &amp;#39;Agency FB&amp;#39;,&amp;#39;sans-serif&amp;#39;&quot;&gt;Quero cantar, não consigo&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: normal; text-align: justify&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: &amp;#39;Agency FB&amp;#39;,&amp;#39;sans-serif&amp;#39;&quot;&gt;Nem a música me sai bem&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: normal; text-align: justify&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: &amp;#39;Agency FB&amp;#39;,&amp;#39;sans-serif&amp;#39;&quot;&gt;Queria &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;a canção mais linda&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: normal; text-align: justify&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: &amp;#39;Agency FB&amp;#39;,&amp;#39;sans-serif&amp;#39;&quot;&gt;Que cante o nome de mãe&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: normal; text-align: justify&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: &amp;#39;Agency FB&amp;#39;,&amp;#39;sans-serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: normal; text-align: justify&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: &amp;#39;Agency FB&amp;#39;,&amp;#39;sans-serif&amp;#39;&quot;&gt;Tem da vida o previlégio&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: normal; text-align: justify&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: &amp;#39;Agency FB&amp;#39;,&amp;#39;sans-serif&amp;#39;&quot;&gt;Do amor que em si contém&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: normal; text-align: justify&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: &amp;#39;Agency FB&amp;#39;,&amp;#39;sans-serif&amp;#39;&quot;&gt;Gerou vida com a dor&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: normal; text-align: justify&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: &amp;#39;Agency FB&amp;#39;,&amp;#39;sans-serif&amp;#39;&quot;&gt;E o prazer de ser mãe&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: normal; text-align: justify&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: normal; text-align: justify&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;CCarifas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/5771.html</comments>
  <lj:replycount>2</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/5381.html</guid>
  <pubDate>Fri, 22 Feb 2008 13:05:13 GMT</pubDate>
  <title>O DESGRAÇADO</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/5381.html</link>
  <description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Quando arrota, engasga-se com o toucinho&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Do porco que desenterrou do quintal do vizinho&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Boiam-lhe na pança, nadando, as larvas&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Loucas pelo cheiro do azedo vinho&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Sente vómitos azedos que renega&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Esforçando-se para os não ejacular&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Puxa p&amp;rsquo;ra si a malga, acaso o não consiga&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Para os&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;  &lt;/span&gt;voltar a aproveitar&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Aos pés de cada couve onde defeca&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Das que pôs um quarteirão&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Medram nelas viçosas folhas&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Nas outras ainda não&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Que estranha natureza esta&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Que o que em si instalou&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Transforma em alimento&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Aquilo que antes defecou&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Borra-se que nem um porco&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Suja de merda os fundilhos&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Escarra no prato da sopa&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;E urina p&amp;rsquo;rós atilhos&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Cheira mal que nem um porco&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Tem pulgas que nem um cão&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Tem a boca fedorenta&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Nem sabe o que é sabão&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;É estúpido mas não o sabe&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;É um macho sem prazer&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;É feio e malfeitoso&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Não sabe ler nem escrever&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Foi um dia ao cemitério&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Pedir p&amp;rsquo;ra ser enterrado&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Escorraçado como doido&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Voltou p&amp;rsquo;ra casa danado&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Tal tipo de gente é&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Que imaginar não consigo&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Vive no curral do gado&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Fazendo as vezes de chibo&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Em tal estado se consome&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Esta besta desgraçada&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Misturado no rebanho&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Nem de chibo vale nada&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot; size=&quot;3&quot;&gt; Ccarifas&lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/5381.html</comments>
  <lj:replycount>0</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/5219.html</guid>
  <pubDate>Wed, 20 Feb 2008 20:10:28 GMT</pubDate>
  <title>O FADO DO DESGRAÇADO</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/5219.html</link>
  <description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: BrowalliaUPC&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Todos julgamos ter alguma dose de inspiração para pretender verter os sumos da &amp;ldquo;veia&amp;rdquo; que julgamos ter. Este fado que liberto aqui é inspirado na figura de um pedinte que aparecia de tempos a tempos na casa dos meus pais, quando eu era ainda criança. A figura daquele homem magricela tinha um ar místico. Apresentava-se com uma bilha de lata às costas transportada ao geito de uma mochila. Desconhecia-se a sua origem e a forma como se apresentava, dizendo-se até que seria mais abastado que aqueles a quem pedia, fazendo-o apenas movido por usura, ao aproximar-se de cada casa rezava orações em voz alta com as mãos erguidas até que lhe aparecessem para manifestar preferência por um pingo de azeite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: center&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: BrowalliaUPC&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 10pt&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: BrowalliaUPC&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;O FADO DO DESGRAÇADO&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Wide Latin&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: BrowalliaUPC&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Minha voz canta à toa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;P&amp;rsquo;las portas do povoado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Quero saber quanto ligam&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;A este homem desgraçado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Da esmola eu alimento&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Minha vida, triste fado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Quero saber quanto amor&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Existe em cada beirado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Quando passo ao teu quintal&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Trabalhas no teu sustento&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Minha voz canta o fado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;P&amp;rsquo;ra ganhar meu alimento&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Saiem-me do coração&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Palavras ditas ao teu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Meu desejo é cantar-te&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Um sentir que é muito meu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Dos anos que já vivi&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Cantando p&amp;rsquo;lo mundo fora&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Vi o sol, meu companheiro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Desencontrar-se com a lua&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Tanto como a minha vida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Está separada da tua&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Arial Unicode MS&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Ccarifas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/5219.html</comments>
  <lj:replycount>0</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/4207.html</guid>
  <pubDate>Wed, 06 Feb 2008 18:50:20 GMT</pubDate>
  <title>“AS SORTES”</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/4207.html</link>
  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/2kCFzdpCtNM21Z1NLarU&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;255&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;329&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/2kCFzdpCtNM21Z1NLarU/340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;(Os magálas de Paio Mendes de 1964)&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;A sorte de cada um ditava-se nas &amp;ldquo;sortes&amp;rdquo;. Boa sorte se ficasse livre, má sorte se fosse apurado. &lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Naquele tempo, ir às &amp;ldquo;sortes&amp;rdquo; era motivo, por um lado, de regozijo, porque representava transpor a fase de rapazola para o homem feito e pronto para a vida adulta e capaz de ir p&amp;rsquo;rá guerra. O percurso de vida de cada um de nós era interrompido nesta fase, por dois três e até quatro anos, período em que eramos confrontados com experiências que iam das longas deslocações para os quartéis em terras distantes onde eramos colocados até às viagens para o Ultramar e consequente participação na guerra colonial, passando pela formação nas diversas especialidades que nos calhavam em sorte. Dizia-se naquele tempo que quem não fosse à tropa não ficava homem inteiro. Se pensarmos na nossa interioridade, na fraca formação académica que nos era proporcionada e no obscurantismo em que vivíamos, a experiência da vida militar acabava por ser enriquecedora, abrindo novos horizontes e conhecimentos, porque eramos finalmente arrancados à inércia da vida que levavamos, (alguns de nós já tinham migrado) embora com trabalho duro, de sol a sol.&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O dia das &amp;ldquo;sortes&amp;rdquo; era, assim, um dia marcante nas nossas vidas em que nos aperaltávamos a preceito para comparecer na inspecção, que, em 1964, foi efectuada nas instalações do cine-teatro de Ferreira do Zêzere. &lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Os da minha geração que estavam migrados, como eu, sobretudo em Lisboa, também compareciam, porque ninguém mudava a residência oficial para ter o privilégio de poder participar nesta, para nós, cerimónia de iniciação. &lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Escusado será dizer, que fomos todos apurados. Altos, baixos, fortes e fracos. Eramos, como se dizia então, carne para canhão. Estava-se em plena guerra colonial e tudo era mobilizável. &lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Os constrangimentos que sentimos em estar em pelota numa fila, a aguardar a vez de ser observado pelos militares que ali se deslocaram para o efeito, desvaneceu-se com a almoçarada que organizámos numa pensão da vila. &lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Eramos dezoito rapazes entusiasmados e alegres a viver este dia especial. Acabado o almoço, já acompanhados do acordeonista contratado para abrilhantar este dia, bem como o baile que se realizaria à noite, tirámos fotografias em grupo para perpetuar a ocasião. &lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Seguimos depois em grupo para Paio Mendes, sempre com o tocador à frente, animando a marcha, para fazer a tradicional visita às casas de cada um. Não fomos a todas, por falta de tempo e porque corresponderia a beber pelo menos 18 copos de vinho e o baile aguardava-nos à noite para culminar o dia, dançando. Recordo-me que neste dia fumei pela primeira vez na presença do meu pai, com sua autorização. A emancipação completava-se. &lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O baile realizou-se em Paio Mendes, à luz de um candeeiro a petróleo (ainda não havia electricidade neste tempo) no anexo da casa do sr. Capitão Pires, que tem umas ameias em pedra que lhe dá aspecto de castelo. Convidámos as raparigas solteiras para o baile, que decorreu animadíssimo, até tarde. &lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Com poucas excepções, acabámos por ir quase todos prestar serviço no Ultramar, na guerra colonial, de onde, felizmente, regressámos todos, embora hoje já haja a lamentar o desaparecimento precoce de alguns colegas e amigos que recordo aqui: O Joaquim Tareco, o Zé Vicente, o Tó Louro e o Caldeira. &lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Estão passados 44 anos deste evento das nossas vidas que todos recordam certamente e que terá sido, pelo menos para alguns, o início de novos rumos nas suas vidas. &lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Como seria interessante voltar a reunir-se este grupo com outra almoçarada para rememorar aquele dia.&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Deixo o apelo.&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Ccarifas &lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Paio Mendes/Ferreira do Zêzere&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/4207.html</comments>
  <lj:replycount>0</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/4080.html</guid>
  <pubDate>Fri, 01 Feb 2008 13:09:06 GMT</pubDate>
  <title>- ANDAR FORA -</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/4080.html</link>
  <description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: center&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 20pt; LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: Algerian&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 20pt; LINE-HEIGHT: 115%&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;O Sr. António está em casa? &amp;ndash; Não, foi &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: &amp;quot;Franklin Gothic Heavy&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot;&gt;andar fora&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;. Esta expressão ainda hoje utilizada por quem presta trabalho no campo, dia a dia, a terceiros, é a forma que expressa a ausência de casa nos trabalhos sazonais para que são falados.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;Ganhar a jorna, para garantia do sustento da família era preocupação diária de todos, com a venda da sua força de trabalho. Não havia contratos nem ragalias sociais. O vínculo a cada patrão terminava no fim de cada dia. Apenas ganhavam o estabelecido consensualmente pela comunidade e aceitavam-no sem contestação. Era melhor patrão o que oferecesse mais e melhor &amp;ldquo;pinga&amp;rdquo;, hábito enraizado, como se fosse de facto um direito institucional. Evitava-se mesmo aqueles que se sabia não ser generosos com o garrafão à frente da cava, em fases de maior oferta de trabalho. No acto de ser falado estabeleciam a ferramenta própria &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;&amp;ndash; enxada rasa, enxada de pontas, foice, machado, etc. -&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;  &lt;/span&gt;com que &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;deveriam apresentar-se ao trabalho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;Oh! Zé, podes ir &lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;andar fora&lt;/strong&gt; para mim na próxima quarta-feira. &amp;ndash; Não, já estou prometido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;Os trabalhos podiam ser prestados em quartéis, meios-dias e dias inteiros, conforme as necessidades do patrão e das condições do tempo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: &amp;quot;Franklin Gothic Heavy&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot;&gt;Andar fora&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;,&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;  &lt;/span&gt;podia ser ao pé da porta ou bem longe de casa. Dependia de quem lhes chegava primeiro à fala, habitualmente nas tardes de domingo, nas tabernas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;Entre os trabalhadores fazia-se a troca directa de dias de trabalho para tarefas nas suas próprias terras, entreajudando-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;As casas grandes e ricas eram as maiores empregadoras, dispunham de um capataz que orientava os trabalhos e o patrão só aparecia, geralmente ao fim da tarde, mostrando a sua presença, quer para provocar incentivo nos trabalhos, quer controlando a hora do despegar, que deveria coincidir com o toque das Avé-Marias no sino da igreja. Os homens,&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;  &lt;/span&gt;a trabalhar desde o nascer do sol, já exaustos, faziam aqui um esforço para mostrar qualidades que o levassem a lembrar-se deles para outros trabalhos, em outros dias. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;Existia um sentimento generalizado de revolta imperceptível, na dação do esforço desumano a troco de quase nada, mas aceite como destino das suas vidas, sem outra saída. Afinal, iam sobrevivendo, abafando nas suas mentes com críticas mordazes e satíricas que lhes confortavam o espírito, divertindo-os, apenas expressadas entre os seus iguais e quando o alcóol lhes dava coragem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;Destapavam a cabeça à sua passagem em sinal de respeito, mas têm do patrão das grandes casas, uma imagem austera, de pessoa distante, de um mundo diferente, que satirizam assim:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: center&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;    &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: center&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: center&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                                  &lt;/span&gt;Estômago dilatado, com relógio de ouro na ponta&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                                &lt;/span&gt;Sobretudo nas costas até ao chão, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                                  &lt;/span&gt;A dois metros da cava observa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                                  &lt;/span&gt;Sem saber que os que cavam a sua terra herdada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                                  &lt;/span&gt;Têm da vida menos favores que o seu cão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                                 &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                                  &lt;/span&gt;Nem sorriso comprado se lhe arranca&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                                  &lt;/span&gt;Nem favor, na disciplina do seu feudo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                                  &lt;/span&gt;A ralé comenta-lhe na ausência&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                                  &lt;/span&gt;Que p&amp;rsquo;ra ele, nem o fedor de um seu peido&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                                  &lt;/span&gt;E se arrancam a crosta dura da sua terra&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                                  &lt;/span&gt;Roubando energia ao coração&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;             &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                     &lt;/span&gt;Sentem roubar-lhe o prazer&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 10pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                               &lt;/span&gt;De ganhar o seu próprio pão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 10pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;Ccarifas&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 10pt; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;Paio Mendes/Ferreira do Zêzere&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/4080.html</comments>
  <lj:replycount>1</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/3441.html</guid>
  <pubDate>Thu, 17 Jan 2008 20:09:51 GMT</pubDate>
  <title>O FESTEIRO</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/3441.html</link>
  <description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Georgia&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot;&gt;Recordar-se-ão, sobretudo os mais velhos como eu, o que eram as festas anuais&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;  &lt;/span&gt;em cada freguesia, com os atractivos&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-bidi-font-size: 11.0pt&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot;&gt;do foguetório, da quermesse, da banda filarmónica, da tômbola de rebuçados, das tascas improvisadas, da barraca de chá, das mesas do capilé e do café, da boleira, das fogaças, das corridas de sacos e de cântaros e, finalmente, do fogo de artifício, que encerrava a festa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Georgia&quot;&gt;Estas festas, de carácter religioso mas com fortes tradições pagâs, em tempos em que as nossas gentes viviam em completo isolamento, não tendo chegado ainda até eles a telefonia ou a televisão, eram a manifestação mais marcante e esperada em cada ano, constituindo-se no momento em que finalmente todos se desligavam do trabalho e das preocupações, independentemente do seu fervor religioso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Georgia&quot;&gt;Ir à festa significava ir com toda a família, com&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;  &lt;/span&gt;farnel, fato domingueiro e com as economias na carteira, aforradas a propósito, para suportar com dignidade a ida à quermesse, à barraca de chá, às tascas, às mesas do café e finalmente à mesa do festeiro-mor para oferecer a sua contribuição para as despesas da festa, recebendo aí a oferta de um número de foguetes de cana, conforme a contribuição oferecida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Georgia&quot;&gt;A figura típica dos homens desta época tinham um retrato marcante, que defino assim:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Georgia&quot; size=&quot;2&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                &lt;/span&gt;&lt;em&gt;De paletó adomingado&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;                 &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;O lenço de pontas no bolso do casaco, bem dobrado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                &lt;/span&gt;Adornado p&amp;rsquo;la caneta de tinta permanente&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;        &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;        &lt;/span&gt;Vai p&amp;rsquo;rá festa aperaltado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: center&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                 &lt;/span&gt;Chapéu de feltro na cabeça&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;Com dobras em geito de pimpão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                 &lt;/span&gt;A um lado a imagem de Nossa Senhora&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                 &lt;/span&gt;No outro uma pena de pavão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                 &lt;/span&gt;As botas de meio cano com elástico&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                  &lt;/span&gt;O rasto em borracha de pneu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                  &lt;/span&gt;Deixa no chão o seu traçado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                  G&lt;/span&gt;aba-se de o mais bonito ser o seu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                   &lt;/span&gt;Se participava na zaragata habitual&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                   &lt;/span&gt;Das que sempre aconteciam&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                   S&lt;/span&gt;entia cheio o orgulho macho &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                   &lt;/span&gt;No olhar de respeito dos que o viam&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;                    &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;Regressa contrariado pela madrugada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                    &lt;/span&gt;Bêbado de tanto se divertir&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                    &lt;/span&gt;Arrasta atrás de si a mulher e os filhos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;quot;Lucida Calligraphy&amp;quot;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;                    &lt;/span&gt;Caminha na frente, jurando que pró ano torna a vir&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;mso-ascii-font-family: Calibri; mso-hansi-font-family: Calibri&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-ascii-font-family: Calibri; mso-hansi-font-family: Calibri&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;Ccarifas&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: left&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-ascii-font-family: Calibri; mso-hansi-font-family: Calibri&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Calibri&quot;&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;&lt;em&gt;Paio Mendes/Ferreira do Zêzere&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/3441.html</comments>
  <lj:replycount>2</lj:replycount>
</item>
<item>
  <guid isPermaLink='true'>http://carifas.blogs.sapo.pt/3181.html</guid>
  <pubDate>Tue, 15 Jan 2008 10:46:26 GMT</pubDate>
  <title>MANIFESTO - Um tempo atrás dos nossos tempos</title>
  <author>carifas</author>
  <link>http://carifas.blogs.sapo.pt/3181.html</link>
  <description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: center&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 26pt; FONT-FAMILY: Algerian; mso-bidi-font-size: 20.0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Georgia&quot; size=&quot;4&quot;&gt;&lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: center&quot; align=&quot;center&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Todos os dias tinham manhãs. As tardes eram lógicas consequências que antecediam o anoitecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;A madrugada alvorecia com movimentos costumeiros que se repetiam em hábitos normalizados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Começava um novo dia, melancolicamente aceite como destino inevitável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Só acasos despertavam o estúpido acordar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Partia o Manél com a junta de bois, o Zé com a carroça arrastada pela mula, o Toino com o burro encilhado, sem dizerem um até logo, esperando ganhar o tempo que não ganhavam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;strong&gt;Doses de dias seguidos servidos às &lt;/strong&gt;suas&lt;strong&gt; vidas, acrescentavam-lhe apenas idade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Adrenalina estagnada, só elevava valores na desgraça própria ou alheia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Retornos cansados, refúgios em bebedeira, alegrias inconscientes, brutalizavam a noite em sonos precoces, sem dizerem boa noite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;O viver, de comer e de beber, era a meca da peregrinação das suas vidas, crendo felizes os gordos e infelizes os magros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Tapetes de alcatrão à porta impediam a existência de estrumeiras, que recordavam, nostálgicos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Hábitos grotescos de casas de banho, provocavam raquitismos no amanho do quintal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;A sala de visitas era na adega.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Vizinho nunca estava longe de mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;O muito e o pouco era estupidamente igual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Salivavam melhor, maldizendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;A felicidade era parceira da ignorância.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Ccarifas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 6pt 0cm; LINE-HEIGHT: normal&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-FAMILY: &amp;#39;Georgia&amp;#39;,&amp;#39;serif&amp;#39;; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Estrangelo Edessa&amp;#39;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Paio Mendes/Ferreira do Zêzere&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://carifas.blogs.sapo.pt/3181.html</comments>
  <lj:replycount>4</lj:replycount>
</item>
</channel>
</rss>

