Sábado, 21 de Março de 2009

A MENINA ROSA (Rosa Alcobia Granja)

 

 

A BOA VIZINHA

 

 
 
 
Desde criança que me habituei a entrar na sua casa como se minha fosse. Ainda hoje o faço, quase inconscientemente, sem noção de que ela já ali não está e que por isso deveria manter a equidistância que a boa educação exige. Ainda assim, continuo a sentir-me em casa.
O seu aspecto distinto com a sua pele muito branca que faria inveja a muitas frequentadoras de salões de beleza não revelava a força de trabalho incansável que aplicou toda a vida nas diversas tarefas de uma mulher ligada à agricultura.
Criou quatro filhos, com quem brinquei desde criança e com quem mantenho boas relações de amizade. Mãe austera e exigente, mas amiga e protectora, ajudou-os na formação do seu carácter e na descoberta do caminho de uma vida honesta e digna.
Brincalhona, era, sobretudo no carnaval, das pessoas que mais gostavam de pregar partidas, que fazia de forma sub-riptícia, provocando a desconfiança de quem a via aproximar-se.
Ainda hoje se sente a falta da sua figura a circular nos caminhos do Fundo da Rua na azáfama dos seus afazeres.
Manteve com a minha mãe uma relação de amizade e de protecção que não esqueço. Quando  aparecia em casa da minha mãe  trazia sempre um mimo. Por vezes trazia  um ovo em cada bolso do avental. Outras vezes apareciam na gaveta da mesa que existia debaixo do alpendre outras surpresas, como um queijo, uma morcela ou qualquer outro acepipe. 
Muitas vezes, quando não encontrava a minha mãe em casa, deixava sinais que representavam um convite para a toma de um cafézinho cozido, que elas entre si percebiam e praticavam no segredo das suas cumplicidades.
Existem factos na nossa vida que não valorizamos na sua decorrência e  só no amadurecimento da idade e na ausência definitiva dos protagonistas reconhecemos com maior justeza os méritos daqueles com quem convivemos e de quem sentimos saudades.
Deixo-lhe a minha homenagem e o meu reconhecimento, acolhendo-a no meu álbum das boas recordações.
CCarifas
publicado por carifas às 18:49

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1 comentário:
De TiBéu ( Isa) a 14 de Abril de 2009 às 14:32
Olá Carlos, gostei da forma como falas da tua vizinha , já foi, assim como a tua mãe que eu tanto gostava. Sei que ela tinha uma certa simpatia por mim. Lembro-me com frequência dela. Bj para ti e família , já deve estar muito crescida a tua filhota. Felicidades para todos

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