Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

A MINHA MÃE

DARLINDA DOS SANTOS

Todos temos por hábito dizer: A minha mãe é a melhor mãe do mundo. Por vezes, nalguns casos, essa afirmação pode pecar por exagero. Porém, no caso concreto da minha mãe,  posso afirmar convictamente, que se tratava de um caso ímpar de pessoa carinhosa, bondosa, afável, conciliadora, terna, pacífica e amorosa. A atestá-lo, sobrevivem os testemunhos de todos os seus seis filhos, genros, netos, sobrinhos e amigos. Quem aborde, ainda hoje, qualquer pessoa que com ela conviveu, recordando-a, fica surpreendido com as manifestações de saudade e reconhecimento das suas qualidades humanas.

A minha mãe, continua presente na casa de cada um de nós, onde é recordada muito frequentemente. As minhas irmãs quando se juntam, não raro se ouvem a descrever os momentos de felicidade vividos com a nossa mãe recordando incidências vividas com os carinhos e cumplicidades que as divertiam.

Nascida em 1900, faleceu em 1982, com 82 anos de idade, rodeada da ternura e carinho que  as suas filhas, Maria Angelina, Maria Luiza, Palmira e Maria Augusta, lhe dedicaram. A Maria Emília vivia e ainda vive em Londres. A presença da minha mãe na casa de cada uma, onde passou nos últimos anos da sua vida, períodos de tempo, por sofrer de problemas cardíacos, era disputada por cada uma como um direito adquirido, sem cedências, porque a sua presença era motivo de grande satisfação pelo ambiente de alegria e carinho que era proporcionado recíprocamente. Quando saía da casa de cada uma das filhas para se instalar noutra, deixava a saudade dos que não gostamos de ver partir. A atestá-lo, porque pouco vulgar, os testemunhos vivos de todos os seus genros que falam dela ainda hoje com mais carinho e saudade (eles que me perdoem a inconfidência) que das suas próprias mães.

Se pensarmos nas condições dos tempos em que viveu, no trabalho duro, nas naturais carências da época, poderia, como outras, ter o coração endurecido pelas labutas que enfrentou. Imagine-se uma mãe com seis filhos, numa época em que o conhecimento dos hábitos de educar os filhos era em muitos casos  gerido pela violência e intimidação, nunca me bateu, nem sequer com a tradicional palmada, que qualquer mãe pode dar a um filho.

A sua ternura e complacência foi marcante para todos nós e para quem a conheceu. Enternece-me, por exemplo, ainda hoje, ouvir falar dela pelos vizinhos mais próximos que com ela conviveram desde crianças, como a Mitocas a Maria e a Lena, bem como a sua falecida mãe, a Menina Rosa, assim tratada carinhosamente por todos, que a socorriam no seu pânico às trovoadas, quando viveu sózinha, depois da morte do meu pai.

Apesar da prevalência do analfabetismo no seu tempo a minha mãe lia e escrevia correctamente, ainda que não tivesse frequentado a escola e tinha uma vasta cultura popular, que não exibia. Sabia um enorme reportório de histórias, ditados, contos populares e cantigas, que nos ensinava nos serões passados à lareira.

Considero-me, perdoem-me a vaidade, um previligiado, por ter tido uma mãe tão boa e carinhosa como foi a minha e que por isso continua ainda omnipresente nas nossas vidas.

Escrevi em tempos dois versos que lhe dediquei e que deixo aqui para voltar a homenageá-la:

   À minha Mãe

Quero cantar, não consigo

Nem a música me sai bem

Queria  a canção mais linda

Que cante o nome de mãe

 

Tem da vida o previlégio

Do amor que em si contém

Gerou vida com a dor

E o prazer de ser mãe

 

CCarifas

 

 

publicado por carifas às 19:51

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2 comentários:
De TiBéu ( Isa) a 31 de Dezembro de 2008 às 18:01
Darlinda era o nome da tua mãe, pessoa que eu tanto gostei, e sei que tambem tinha a simpatia dela. Que saudades e que sonhos ela tinha meu deus.
Os anos vão passando e vãi ficando somente a recordão. Que de tão bom ser tb doi. Carlos parabens pela forma como escreves e pelo teu sentimento. bj
De Susana Cotrim Muñoz a 10 de Julho de 2008 às 12:12
Primo Carlos,

Fiquei deveras comovida, pelo o amor apresentado neste comentário, dirigido à sua mãe. Ainda me lembro dela, sentada na eira, na casa da Maria Augusta. Aquele olhar muito sereno!! Confirmei com a minha mãe, para não ter duvidas, poderia estar baralhada com a mãe do Primo Chico, e e minha mãe respondeu, por estas simples palavras:
- Sim, sim era a Ti Darlinda , que tinha um ar de santa!!
É sempre bom recordar, com saudade, é sinal que nos fazem muita falta.
Eu também posso dizer de boca cheia, QUE MÃE MARAVILHOSA QUE TENHO, E UM PAI TAMBÉM MARAVILHOSO!! Bjs Prima Susana

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