Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

O FADO DO DESGRAÇADO

Todos julgamos ter alguma dose de inspiração para pretender verter os sumos da “veia” que julgamos ter. Este fado que liberto aqui é inspirado na figura de um pedinte que aparecia de tempos a tempos na casa dos meus pais, quando eu era ainda criança. A figura daquele homem magricela tinha um ar místico. Apresentava-se com uma bilha de lata às costas transportada ao geito de uma mochila. Desconhecia-se a sua origem e a forma como se apresentava, dizendo-se até que seria mais abastado que aqueles a quem pedia, fazendo-o apenas movido por usura, ao aproximar-se de cada casa rezava orações em voz alta com as mãos erguidas até que lhe aparecessem para manifestar preferência por um pingo de azeite.

 

O FADO DO DESGRAÇADO

 

 

Minha voz canta à toa

P’las portas do povoado

Quero saber quanto ligam

A este homem desgraçado

 

Da esmola eu alimento

Minha vida, triste fado

Quero saber quanto amor

Existe em cada beirado

 

Quando passo ao teu quintal

Trabalhas no teu sustento

Minha voz canta o fado

P’ra ganhar meu alimento

 

Saiem-me do coração

Palavras ditas ao teu

Meu desejo é cantar-te

Um sentir que é muito meu

 

Dos anos que já vivi

Cantando p’lo mundo fora

Vi o sol, meu companheiro

Desencontrar-se com a lua

Tanto como a minha vida

Está separada da tua

 

 

Ccarifas

publicado por carifas às 20:10

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