Terça-feira, 13 de Novembro de 2012

Manuel Augusto Alcobia Granja, vulgo, NECAS

No já longínquo ano de 1943,  nascemos ambos, em Paio Mendes, Fundo da Rua, firmando desde então uma proximidade que gerou afectos e sentimentos que cabem no âmbito das relações amigas de familiares.  

Embora trilhássemos caminhos distintos no labor da subsistência que a vida nos impôs, é sobretudo neste cantinho das nossas raízes, que nos revemos, revivendo, passados quase 70 anos as memórias comuns.

Transponho-o para o meu álbum das boas recordações com uma ligeira descrição que pode pecar por defeito, mas cujo registo o fará recordar.

 

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Lavra, cava, semeia, rega, sacha, colhe, cozinha e come. Aqui está o exemplo de quem sobreviverá a qualquer crise que não seja de pestes.

Com três ralhações e quatro impropérios, desbloqueia qualquer dificuldade com o sentido prático de quem não sabe complicar.

Diz-se o melhor cozinheiro do mundo demonstrando-o na prática com os seus excelentes cozinhados, que oferece, quase impondo-os, a quem esteja por perto.

Frontal, logo por vezes incómodo, nem sempre colhe a simpatia daqueles que o não conhecem bem.

Homem mundano e culti-viajado, descreve os vários pontos do globo que visitou, comparando as virtudes desses lugares à magnificência de Paio Mendes, seu destino preferido.

Lê um livro com a mesma naturalidade com que faz trabalhos mecânicos, de electricidade, canalização, de pinturas ou de agricultura.

Cansa até a quem apenas observa, a determinação colocada em cada tarefa.

Antítese da generalidade dos concidadãos acomodados às circunstâncias que o destino lhe traça subraindo aos apoios sociais os meios de sobrevivência, clone-se, porque já é possivel, a natureza e determinação deste e outros iguais, que inverterão a curva da crise económica de forma irreversível.

Apesar da sua confortável situação económica, conquistada pelos longos anos de trabalho com  competência técnica reconhecida, não se acomoda ao bem estar que os seus proventos lhe permitem.

Circula pelos caminhos de Paios Mendes ora de tractor ora de Mercedes, para ir  à horta ou ao mercado comprar sardinhas, um dos seus paladares preferidos.

Mas também sai de Paio Mendes para ir ali ao Brasil, à Alemanha a Espanha ou qualquer outro destino, como quem vai ali a Ferreira ou a Dornes.

Campeão do contraditório, geralmente expressa opiniões diferenciadas dos seus interlocutores com a convicção de que a sua filosofia de vida está mais de acordo com os parâmetros fixados para a óbvia natureza do comum mortal.

É, com efeito, a imagem do cidadão global

Agora, como nos idos anos 40 do século passado, sinto-me bem com o ambiente de proximidade e convívio que recuperámos, nesta fase de aposentação da actividade profissional, derradeira etapa das nossa vidas.

publicado por carifas às 21:50

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